Guerra no Oriente Médio eleva preços do petróleo e derruba bolsas globais, com receio de inflação e instabilidade econômica.

As bolsas de valores ao redor do mundo registraram quedas expressivas nesta segunda-feira (9), com os preços do petróleo disparando em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. A falta de sinais de trégua na guerra, que entra em sua segunda semana, intensifica os temores sobre os impactos na economia global e a possibilidade de uma nova onda inflacionária.

Mercados asiáticos ampliaram perdas, com a Bolsa de Seul fechando em queda de 5,96% e Tóquio recuando 5,2%. As bolsas europeias também operaram no vermelho, com Paris em baixa de 2,59% e Frankfurt cedendo 2,47%. Wall Street já havia registrado perdas superiores a 2% na semana anterior, e o dólar se fortaleceu como ativo de refúgio.

A perspectiva de um conflito prolongado e seus efeitos na economia global são os principais fatores por trás da desvalorização das ações. Conforme informação divulgada pela imprensa, os ataques recentes contra campos de petróleo no Iraque e a redução na produção em outros países da região, como Emirados Árabes Unidos e Kuwait, contribuíram para a alta vertiginosa dos preços do petróleo.

Petróleo atinge picos históricos e Brent supera US$ 119 por barril

O preço do petróleo registrou uma escalada impressionante, com o barril de West Texas Intermediate (WTI) chegando a operar em alta de 30%, a US$ 119,48. O Brent do Mar do Norte, referência europeia, avançou 17,42%, ultrapassando os US$ 119 o barril. O preço do gás natural nos contratos futuros também apresentou alta de 30%.

A tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo e gás consumidos mundialmente, contribui para a instabilidade. O tráfego no local está suspenso desde o início da guerra, aumentando a preocupação com o abastecimento global de energia.

Países do G7 estudam liberar reservas estratégicas de petróleo

Diante da escalada dos preços, os países do G7 estão considerando uma ação coordenada para estabilizar o mercado, incluindo a liberação de suas reservas estratégicas de petróleo. A Agência Internacional de Energia (AIE) já havia alertado para a necessidade de manter reservas equivalentes a 90 dias de importações.

A preocupação com a inflação é palpável. Analistas alertam que o petróleo acima de US$ 100 por barril funciona como um verdadeiro imposto sobre a economia global, afetando cadeias produtivas e o poder de compra dos consumidores.

Trump minimiza alta do petróleo, mas analistas alertam para impacto econômico

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou minimizar o impacto da alta do petróleo, afirmando que a eliminação da “ameaça nuclear do Irã” é mais importante e que os preços cairão rapidamente. No entanto, analistas divergem, com muitos apontando para um impacto severo e duradouro na economia mundial.

Stephen Innes, da SPI Asset Management, ressaltou que “o choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva” e que “o petróleo acima de 100 dólares não é apenas uma alta no preço das commodities, ele se torna um imposto sobre a economia global”. A incerteza sobre a duração do conflito e seus desdobramentos econômicos continuam a pesar sobre os mercados.