Ataque Russo em Kiev Deixa 1 Morto e Milhares Sem Aquecimento em Meio a Negociações de Paz

A capital da Ucrânia, Kiev, foi palco de um ataque russo devastador neste sábado, resultando em ao menos uma morte e 23 feridos. A ofensiva, ocorrida em pleno inverno rigoroso, com temperaturas de -12°C, deixou cerca de 6 mil edifícios sem aquecimento, conforme informado pelo prefeito Vitali Klitschko.

O ataque maciço com mísseis e drones, que utilizou 375 drones e 21 mísseis, segundo as forças armadas ucranianas, foi descrito pelo ministro das Relações Exteriores da Ucrânia como uma ação cínica de Vladimir Putin, orquestrada enquanto delegações se reuniam em Abu Dhabi para negociações de paz.

Em Kharkiv, outra cidade ucraniana, os ataques causaram ferimentos em 19 pessoas. O presidente Volodymyr Zelensky destacou que a ofensiva reforça a urgência de cumprimento dos acordos internacionais sobre fornecimento de defesa aérea, ressaltando a necessidade de mais apoio para proteger a população.

Negociações de Paz em Abu Dhabi: Um Raio de Esperança em Meio à Violência

Paralelamente aos ataques, Estados Unidos, Ucrânia e Rússia iniciaram nesta sexta-feira (23) a primeira reunião trilateral formal para negociar o fim da guerra, que se aproxima de completar quatro anos. A cúpula, sediada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, se estende até sábado e representa um marco nas tentativas de pacificação.

Esta é a primeira vez desde o início do conflito que os três países se sentam conjuntamente para discutir a paz. O foco das negociações, conforme anunciado pelo presidente Zelensky, inclui o controle territorial da região de Donbas, no leste da Ucrânia. As discussões ocorrem em um momento delicado, com a Rússia mantendo sua exigência de anexação de toda a região de Donbas.

Posições Divergentes e a Exigência Russa de Retirada de Tropas

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reiterou a posição russa de que as tropas ucranianas devem se retirar de Donbas como condição para um acordo de paz. Peskov mencionou uma “fórmula Anchorage”, em aparente referência a um encontro anterior entre Trump e Putin, como um caminho para a resolução pacífica do conflito.

A Ucrânia, por sua vez, considera inaceitável ceder territórios sob seu controle. O presidente Zelensky expressou que os russos precisam estar preparados para fazer compromissos, mas ressaltou que a Rússia tem se mostrado disposta a finalizar o conflito apenas sob seus próprios termos, o que dificulta o avanço das negociações.

Avanços em Acordos de Segurança e Críticas à Inação Europeia

Zelensky revelou que negociações sobre garantias de segurança a serem fornecidas pelos EUA no pós-guerra, realizadas com Donald Trump à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos, estão “quase prontas”. Ele também criticou a inação dos aliados europeus diante do conflito, classificando a Europa como um “caleidoscópio fragmentado de pequenas e médias potências” com uma mentalidade que precisa mudar.

O líder ucraniano acusou a Rússia de tentar “congelar os ucranianos até a morte” com os ataques contínuos à infraestrutura do país. Enquanto isso, o enviado especial de Trump para a guerra, Steve Witkoff, se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin em Moscou, indicando que um acordo para encerrar o conflito pode estar próximo, com apenas “uma questão entre Ucrânia e Rússia” a ser resolvida.