Maués se prepara para colheita expressiva de guaraná, impulsionada por avanços científicos e clima favorável
A abertura dos chamados ‘olhos da Amazônia’, que são os frutos vermelhos do guaraná, anuncia o início da safra no interior do Amazonas. Em Maués, o município líder na produção da fruta, os agricultores estão otimistas com a colheita que, para 2026, deve atingir a marca impressionante de cerca de 800 toneladas.
Este cenário positivo é o resultado de um trabalho contínuo e dedicado. Por mais de quatro décadas, pesquisas têm fortalecido a cultura do guaraná, tornando-o mais resistente e produtivo. Nos anos 1980, a plantações sofreram um grande golpe com a devastadora antracnose, uma doença causada por fungos. No entanto, a ciência, através de instituições como a Embrapa, desenvolveu variedades que hoje garantem a sustentabilidade da produção.
De acordo com o pesquisador da Embrapa, André Atroch, as condições climáticas deste ano foram um fator crucial para o sucesso da safra. Ele explicou que “não tivemos fatores extremos que prejudicassem a colheita. Chuvas intensas ou ventos fortes poderiam comprometer a produção.” Essa estabilidade climática permitiu que as plantas se desenvolvessem plenamente, contribuindo para a expectativa de uma safra abundante.
O guaraná como alternativa de renda e esperança para famílias amazônicas
A importância do guaraná vai além de sua produção em larga escala. Na comunidade Jatuarana, próxima a Manaus, o cultivo da fruta, iniciado há sete anos, tem transformado a realidade de muitas famílias. O produtor Ilmar Siqueira compartilha sua experiência: “A gente tinha uma expectativa muito fraca para a produção e o guaraná veio para melhorar o sustento da nossa família.” Essa fala demonstra o impacto direto e positivo que a cultura do guaraná tem trazido para a economia local.
Desafios superados e a resiliência do cultivo amazônico
Apesar do cenário promissor, o cultivo do guaraná exige atenção e cuidados, especialmente nos primeiros anos de desenvolvimento da planta. Eventos climáticos extremos, como as secas severas que atingiram plantações em 2022 e 2023, causaram a perda de cerca de 200 pés. No entanto, a parceria sólida entre agricultores e pesquisadores tem sido fundamental para superar esses obstáculos e garantir a continuidade e o florescimento do guaraná no Amazonas.
A beleza da colheita e a multiplicação dos frutos
A paixão pela terra e pela cultura amazônica é visível no depoimento de produtores como João Batista. Ele expressa a alegria de ver o ciclo se completar: “Achei bonito quando começamos a colher. Foi ainda mais bonito ver os frutos se multiplicando.” Essa visão de prosperidade e renovação simboliza a força do guaraná e o futuro promissor que se desenha para essa riqueza da Amazônia.