Governo Lula adota nova estratégia e aposta em postura ‘contida’ de Trump durante eleições brasileiras
A percepção do governo brasileiro sobre a possível interferência dos Estados Unidos nas eleições do Brasil passou por uma mudança significativa. Diplomatas agora avaliam que a relação pessoal estabelecida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump tende a resultar em uma postura mais reservada por parte da Casa Branca.
Essa expectativa de menor intervenção, segundo fontes diplomáticas, é um reflexo direto do tratamento cortês e, por vezes, afetuoso que Trump tem dispensado a Lula. A boa relação pessoal é vista como um fator de proteção, capaz de blindar o processo eleitoral brasileiro mesmo diante de possíveis pressões internas ou externas que favoreçam candidaturas de direita.
Apesar do otimismo gerado pela proximidade entre os líderes, o entorno de Lula não ignora a conhecida volatilidade de Donald Trump. Por isso, o Brasil mantém a guarda alta e adota uma estratégia cuidadosa para preservar a conexão com o governo americano. Conforme apurou uma fonte governamental que acompanha as tratativas, a tendência é de uma “postura mais recatada do lado do Executivo americano” até as eleições.
Relação pessoal como escudo contra interferências
A diplomacia brasileira atribui a redução do risco de interferência à relação pessoal construída entre Lula e Trump nos últimos meses. Essa conexão, marcada por interações amigáveis, funciona como um importante fator de blindagem, mesmo diante de cenários que poderiam levar a Casa Branca a favorecer um candidato alinhado a seus interesses.
O histórico recente mostra momentos de tensão, como a imposição de tarifas por Trump ao Brasil no ano passado, interpretada por ministros e diplomatas como uma tentativa de forçar uma mudança de regime ou desgastar o governo Lula. Mesmo após o relaxamento dessas tarifas e o recuo em medidas como a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, a desconfiança persistia.
No entanto, as conversas telefônicas e o encontro pessoal entre Lula e Trump, inclusive na Malásia, parecem ter alterado o cenário. A nova doutrina de segurança nacional dos EUA, que prevê zonas de influência com a América Latina subordinada a Washington, gerou preocupações, mas a relação bilateral tem sido trabalhada para mitigar esses riscos.
Estratégia brasileira: cooperação e segurança pública
O esforço da diplomacia brasileira daqui até as eleições se concentrará em manter a proximidade com a Casa Branca. Essa estratégia é vista como uma “vacina” contra possíveis movimentos da oposição bolsonarista. O governo tem, inclusive, buscado tirar do papel ações de cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado.
A ênfase na segurança pública está diretamente ligada ao cenário eleitoral. O Palácio do Planalto prevê que este será um debate central no pleito, e a oposição tentará usar o tema para desgastar Lula. Discutir essa questão diretamente com Trump é visto como uma forma de neutralizar ações da oposição, especialmente do grupo ligado a Flávio Bolsonaro.
Apesar da cautela com a volatilidade de Trump, o governo brasileiro aposta que a boa relação construída será suficiente para garantir uma postura mais discreta dos EUA no processo eleitoral, evitando assim interferências explícitas que possam favorecer candidaturas de direita.