Pequim manifestou-se nesta sexta-feira (29) contra a decisão do governo Trump, que incluiu as duas maiores facções criminosas do Brasil em sua lista de organizações terroristas. A medida, anunciada na véspera, vai contra os interesses do Brasil e preocupa o Planalto.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou que a China defende “consistentemente” o princípio da não interferência em assuntos internos de outros países. A declaração ocorre a poucos dias da visita do chanceler brasileiro Mauro Vieira à China, marcada para domingo (31).
A decisão dos EUA contraria frontalmente a posição do governo brasileiro, que teme que o enquadramento sirva de pretexto para uma intervenção militar americana, como ocorreu em outros países da região. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia afirmado recentemente que o combate às facções cabe às forças nacionais: “Essa é uma guerra que é nossa, essa guerra não é dos Estados Unidos”, declarou, referindo-se à nova lei antifacção aprovada no Brasil.
Em comunicado, o Departamento de Estado americano classificou o PCC e o CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, acusando-as de coordenar ataques contra policiais, funcionários públicos e civis, além de atuarem além das fronteiras brasileiras. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo de Donald Trump usará “todas as ferramentas disponíveis” para proteger os interesses de segurança nacional dos EUA e sufocar o financiamento de “narcoterroristas”.
A medida integra uma estratégia mais ampla dos EUA. Em fevereiro de 2025, o governo americano já havia classificado como terroristas cartéis mexicanos (Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Noreste) e a organização venezuelana Tren de Aragua.
A repercussão internacional promete marcar a agenda diplomática entre Brasil, EUA e China, especialmente em um momento de reaproximação entre Brasília e Pequim.