Rocha pede afastamento após breve retorno ao cargo em Sinaloa
O governador de Sinaloa, Rubén Rocha, solicitou novamente um afastamento de suas funções neste sábado (22). A decisão ocorre um dia após ele ter retomado o cargo, em um gesto que foi visto como desafio e gerou forte repercussão negativa.
O retorno de Rocha não foi bem recebido nem pelo governo mexicano, liderado pela presidente Claudia Sheinbaum, nem pelo partido governista Morena. Ambos o acusaram de colocar interesses pessoais acima das necessidades públicas.
A crise política se intensificou com declarações de Sheinbaum na rede social X, onde alertou que “o poder sem princípios transforma-se em arrogância” e que “nenhum interesse pessoal pode estar acima dos interesses do povo ou da Nação”. Embora não tenha citado Rocha nominalmente, as palavras foram interpretadas como uma crítica direta ao governador. Rocha, por sua vez, respondeu afirmando que “Sinaloa, a nação e o movimento de transformação estão acima de tudo”.
Acusações de narcotráfico pelos EUA abalam o governo de Sinaloa
Rubén Rocha, de 77 anos e membro do partido Morena, já estava afastado do cargo há mais de três meses. O afastamento inicial ocorreu após promotores federais dos Estados Unidos o acusarem de tráfico de drogas, suborno e proteção a um cartel.
Em abril, as autoridades americanas alegaram que Rocha e outras nove autoridades mexicanas conspiraram com uma facção do Cartel de Sinaloa, conhecida como “Los Chapitos”. Segundo a acusação, eles teriam auxiliado no tráfico de drogas para os EUA em troca de apoio político e subornos.
Essa ação de Washington representou uma expansão significativa das investigações contra cartéis, mirando não apenas líderes do tráfico, mas também uma autoridade política de alto escalão em exercício. Rocha, no entanto, classificou o caso americano como um ataque politicamente motivado contra o movimento liderado por Sheinbaum.
Governo mexicano e partido governista demonstram insatisfação
A administração de Claudia Sheinbaum havia declarado anteriormente que Washington não apresentou provas suficientes para justificar a prisão ou a extradição de Rocha. Apesar disso, o próprio governo mexicano abriu uma investigação interna sobre o caso.
No entanto, o retorno de Rocha ao poder foi recebido com frieza por Sheinbaum e pelo Morena, evidenciando as **tensões persistentes** dentro do partido governista. A situação demonstra a complexidade do caso e o impacto das acusações americanas na política mexicana.
A necessidade de um novo afastamento por parte de Rubén Rocha, após tão breve retorno, reforça a **pressão política e social** que o governador enfrenta diante das graves acusações de ligação com o narcotráfico.