Garantido é o grande campeão do Festival de Parintins 2025, em uma edição repleta de emoções e debates
O Festival de Parintins 2025 celebrou a vitória do Boi Garantido, em uma edição que ficará marcada na memória dos apaixonados pelo evento. A disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, que agita a cidade de Parintins todos os anos, foi palco de transformações impressionantes na arena, homenagens tocantes e, como não poderia faltar, polêmicas durante a apuração das notas.
A cidade, conhecida por sua divisão entre as cores azul e vermelha, recebeu milhares de turistas para a 59ª edição do festival. O g1 relembra os principais momentos que definiram a competição em 2025, tanto dentro quanto fora do Bumbódromo. A 58ª edição foi um espetáculo de arte e cultura, mas também gerou burburinho com rumores de substituições, estreias impactantes e acusações de manipulação.
O Boi Garantido, com o tema “Boi do povo, boi do povão”, conquistou seu 33º título, em uma apresentação que emocionou a todos. O apresentador Israel Paulain surgiu do meio da arquibancada, em um momento de pura conexão com a galera encarnada, para a tradicional contagem. Outro destaque foi a estreia de Jeveny Mendonça como porta-estandarte, um nome que já nasce com a força do Garantido.
Momentos que definiram a vitória do Garantido em 2025
Na primeira noite, a cunhã-poranga Isabelle Nogueira, representando a lenda indígena Tapyra’yawara, protagonizou uma transformação espetacular em uma onça, inspirada nas ricas cosmologias dos povos originários da Amazônia. O Garantido também prestou uma homenagem emocionante à advogada Eunice Paiva, viúva do ex-deputado Rubens Paiva, morto durante a ditadura militar. A lembrança, conduzida pelo amo do boi, fez referência ao filme “Ainda Estou Aqui”, que narra a saga da família após o desaparecimento de Rubens.
A segunda noite trouxe o retorno de David Assayag como levantador de toadas, afastando os rumores de substituição que circulavam nas redes sociais. A comunidade do Garantido celebrou a presença do artista, que é um ícone do festival. Um dos pontos altos da noite foi a homenagem às tacacazeiras da Baixa do São José, bairro de fundação do boi. A rainha do folclore, Lívia Mendonça, surgiu de dentro de uma alegoria, em um momento de pura magia.
Na última noite, o Garantido homenageou o icônico cantor, compositor e poeta parintinense Chico da Silva. David Assayag e o amo do boi, João Paulo Faria, entoaram a histórica toada “Vermelho”, composição de Chico da Silva, em um tributo emocionante. Outro momento marcante foi a despedida do pajé Denildo Piçanã, com seu filho, Denison Piçanã, assumindo o posto, consolidando uma transição familiar dentro de um dos itens mais importantes do boi.
Caprichoso em 2025: Força da floresta e apelo pela demarcação
O Boi Caprichoso, com o tema “É tempo de retomada”, exaltou a força dos povos da floresta e fez um forte apelo pela demarcação da terra indígena Tupinambá logo na abertura do festival. A apresentação contou com a participação do pajé Erik Beltrão, da cunhã-poranga Marciele Albuquerque, representantes de povos originários e o impressionante Manto Tupinambá do Século 21.
Caetano Medeiros, estreante como amo do Boi Caprichoso, liderou a vaqueirada azulada com energia contagiante. A cunhã-poranga Marciele Albuquerque encantou a todos ao se transformar em um gavião durante sua apresentação na primeira noite, em uma performance que ligou a simbologia amazônica à sua indumentária, que ganhou vida e movimento.
Na segunda noite, a releitura da toada “Réquiem – Prece aos Espíritos” (1996) emocionou os torcedores. A canção, que homenageia as raízes indígenas e a espiritualidade ancestral, foi entoada enquanto um módulo alegórico com pajés era elevado por um guindaste, em uma evolução coreográfica impactante. A gigante alegoria “Sacaca Merandolino: O Encantador de Arapiuns” também foi um dos destaques, trazendo a rainha do Folclore do Caprichoso, Cleise Simas.
O Boi Caprichoso abriu a terceira noite com uma enorme ‘cobra grande’ que ganhou vida no meio da galera, enquanto na arena, a cunhã-poranga Marciele Albuquerque representava a mãe das mães. O ex-levantador Edilson Santana foi convidado e interpretou a toada “Utopia Cabocla”. Angela Mendes, filha de Chico Mendes, entrou no bumbódromo com a faixa “Amazônia de pé”, e o módulo alegórico trouxe o mapinguari e a porta-estandarte Marcela Marialva.
Polêmica na apuração e a saída do presidente do Caprichoso
Fora da arena, a apuração das notas do Festival de Parintins 2025 foi marcada por uma polêmica que repercutiu intensamente. O presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, deixou o Bumbódromo durante a leitura das notas em protesto contra as pontuações recebidas pelo boi azul e branco. Amoedo acusou os jurados de manipulação, gerando grande debate entre os torcedores e a imprensa.
A disputa acirrada entre os bois sempre gera paixões, mas a saída do dirigente em meio ao processo de apuração adicionou um tempero extra à já intensa rivalidade. A controvérsia levanta discussões importantes sobre a transparência e a lisura do processo de avaliação, temas cruciais para a credibilidade do Festival de Parintins.