Cerca de 20 ministros de Lula devem deixar o governo para concorrer nas eleições, gerando incerteza na Esplanada.
O governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um cenário de movimentação intensa com a possibilidade de até 20 ministros deixarem suas pastas para disputar cargos públicos nas próximas eleições. A decisão, alinhada à orientação do presidente, visa reforçar a base de apoio do PT em diversos estados do país.
Essa debandada, que deve ocorrer até abril, às vésperas do período oficial de campanha, levanta questionamentos sobre a estabilidade e a capacidade de articulação política do governo durante um período crucial. A saída de nomes importantes pode impactar diretamente a gestão e a articulação nacional.
Ainda que a intenção seja fortalecer a presença do partido em âmbito regional, a ausência desses ministros pode criar vácuos de poder e gerar incertezas na condução de políticas públicas. Acompanhe os detalhes dessa reconfiguração ministerial e seus possíveis desdobramentos, conforme informações divulgadas por veículos de imprensa.
Gleisi Hoffmann e Rui Costa: Movimentações de peso na Esplanada
Entre os nomes de destaque que devem se afastar está a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que atendeu a um pedido direto de Lula para concorrer ao Senado pelo Paraná. Gleisi, deputada federal licenciada, era peça-chave na articulação política do governo, e sua saída deixa um ponto de interrogação sobre como essa função será desempenhada durante a campanha.
Outro ministro palaciano com intenção de sair é Rui Costa (Casa Civil), que pode disputar uma vaga no Senado ou retornar ao governo da Bahia. A saída de ambos representa a perda de lideranças importantes para a gestão e para a articulação política em momentos de campanha eleitoral.
Sidônio Palmeira e Simone Tebet: Rumos diferentes na corrida eleitoral
Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) também deve se afastar, mas com um propósito distinto: assumir o comando da campanha de Lula à reeleição. Sua saída está prevista para junho, diferentemente dos demais que devem se descompatibilizar em abril.
Já Simone Tebet (Planejamento) estuda se filiar ao PSB para concorrer ao Senado por São Paulo. Sua movimentação é vista como estratégica para fortalecer a base de Lula no estado, e seu nome também circula como possível candidata ao governo paulista, caso Fernando Haddad (Fazenda) não concorra.
Outros ministros e a incerteza na composição do governo
Além de Gleisi e Rui Costa, outros 12 ministros fora do círculo palaciano também devem deixar suas pastas. Entre eles, Anielle Franco (Igualdade Racial) buscará uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro, enquanto Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Carlos Fávaro (Agricultura) visam a reeleição como deputada e senador, respectivamente.
Jader Filho (Cidades) também confirmou a intenção de disputar a Câmara pelo Pará, com saída prevista para março. Nomes como André De Paula (Pesca), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) também anunciaram suas saídas.
Luiz Marinho (Trabalho), que cogitava a reeleição como deputado, desistiu após pedido do presidente. Marina Silva (Meio Ambiente) pode concorrer ao Senado por São Paulo. Outros ministros como Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Camilo Santana (Educação), André Fufuca (Esportes), Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) também podem disputar cargos, aguardando definições com o presidente.
A saída de tantos ministros pode impactar a **articulação política** e a gestão do governo, especialmente considerando que a pasta de Relações Institucionais, responsável por essa articulação, ficará sob o comando de um diplomata de carreira, Marcelo Costa, enquanto alas do PT defendem um nome com perfil mais político para a função durante o período eleitoral.
Ministros com perfis mais técnicos, como Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Lima e Silva (Justiça) e Esther Dweck (Gestão e Inovação), devem permanecer em seus cargos, garantindo certa estabilidade na administração federal durante a campanha eleitoral.