Oxfam Alerta: Fortuna dos Bilionários Atinge Pico Histórico em 2025, Aumentando Desigualdade e Minando Democracia

A fortuna dos bilionários atingiu um recorde sem precedentes em 2025, um cenário alarmante que, segundo a ONG Oxfam, está diretamente ligado à crescente desigualdade e à minagem da liberdade política em todo o mundo. O relatório anual, intitulado “Resistir ao domínio dos mais ricos”, divulgado nesta segunda-feira (19), lança um olhar crítico sobre as políticas econômicas globais.

O documento, que coincide com o início do Fórum Econômico em Davos, na Suíça, denuncia o impacto das concentrações de riqueza. A Oxfam destaca que os 12 bilionários mais ricos do planeta agora possuem mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade, um grupo que soma cerca de quatro bilhões de pessoas. Este dado chocante sublinha a disparidade abissal na distribuição de bens no mundo.

Os números apresentados pela Oxfam pintam um quadro preocupante. No ano passado, o mundo registrou pela primeira vez mais de 3.000 bilionários, cujas fortunas combinadas alcançaram a impressionante marca de US$ 18,3 trilhões. Esse valor representa um aumento de 16,2% em seus patrimônios, um crescimento três vezes mais rápido do que nos cinco anos anteriores. Enquanto isso, a redução da pobreza tem desacelerado significativamente desde a pandemia de 2020.

O Poder de Influência dos Ultrarricos na Política e Mídia

O acúmulo massivo de riqueza confere aos ultrarricos um poder desproporcional de influenciar instituições e veículos de comunicação. A Oxfam lamenta que isso resulte na “minagem da liberdade política e na corrosão dos direitos da maioria”. A organização estima que os ultrarricos tenham cerca de 4.000 vezes mais chances de ocupar um cargo político do que cidadãos comuns.

Os Estados Unidos são citados como um exemplo proeminente dessa influência. O governo de Donald Trump, por exemplo, conta com a presença de diversos bilionários em seu quadro. Layla Abdelkê Yakoub, representante da Oxfam, aponta que “1 em cada 6 dólares gastos por candidatos e partidos políticos em 2024 nos Estados Unidos vem de doadores bilionários”. Essa realidade levanta sérias questões sobre a representatividade democrática.

Yakoub acrescenta que, nos EUA, uma política apoiada pelos mais ricos tem 45% de probabilidade de ser adotada, contra apenas 18% quando eles se opõem. Esse fenômeno é atribuído não apenas a medidas políticas ao longo do tempo, mas também ao “monopólio da mídia, das redes sociais e da inteligência artificial” por parte desses atores.

Protestos em Davos e a Crítica à Reunião dos Poderosos

Em paralelo à divulgação do relatório, o Fórum Econômico em Davos foi palco de protestos. A Juventude Socialista Suíça organizou uma manifestação com o lema “No World Economic Forum – Stop Trump”. Manifestantes, alguns usando máscaras de figuras bilionárias como Elon Musk, expressaram descontentamento com a reunião dos mais poderosos.

Nathalie Ruoss, vice-presidente da Juventude Socialista, criticou o Fórum como “o lugar onde as pessoas mais poderosas e ricas do mundo se reúnem para discutir o nosso futuro, tomar decisões sobre ele – sobre a economia ou o clima, que afetam todos – e fazem isso sem qualquer legitimidade democrática”. Ela considerou inaceitável a presença de figuras como Donald Trump, que, segundo ela, legitima suas ações.

O Círculo Vicioso da Desigualdade e a Necessidade de Tributação Justa

O diretor-geral da Oxfam, Amitabh Behar, alerta que “as desigualdades econômicas e políticas podem acelerar a erosão dos direitos e da segurança das pessoas a uma velocidade assustadora”, descrevendo um “círculo vicioso”. A organização critica as reduções massivas de impostos para empresas e famílias ricas, como as previstas nos EUA antes das eleições legislativas de novembro, e a isenção de multinacionais de taxas internacionais.

A Oxfam defende medidas enérgicas para limitar o poder dos ultrarricos, propondo tributá-los “de verdade” e proibir o financiamento de campanhas políticas por esses indivíduos. A organização questiona “Até onde alguns governos estão dispostos a ir para proteger os interesses dos ultrarricos à custa de sua população?”, como destacou Abdelkê Yakoub, em referência ao uso de plataformas como o X para perseguir críticos.