Irã fecha espaço aéreo para voos internacionais em meio a tensões crescentes com os EUA
Em uma medida drástica que reflete o aumento das tensões geopolíticas, o Irã comunicou às companhias aéreas o fechamento de seu espaço aéreo para todos os voos internacionais, com exceção daqueles com origem ou destino em Teerã. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (14), impacta diretamente o tráfego aéreo global e levanta preocupações sobre a segurança na região.
A ação ocorre em um momento de escalada de conflitos entre o Irã e os Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, tem sinalizado a possibilidade de uma intervenção militar no país, em meio a uma onda de protestos internos que resultou em um número alarmante de mortos e prisões.
Conforme informações divulgadas por sites de monitoramento aéreo, como o Flightradar24, a restrição já era antecipada. Autoridades da Alemanha emitiram um alerta para que as companhias aéreas do país evitassem o espaço aéreo iraniano, citando riscos potenciais à aviação devido à escalada de conflitos e ao armamento antiaéreo.
Rotas desviadas e o medo de um conflito maior
A interrupção no tráfego aéreo já é visível. Relatos indicam que diversas aeronaves foram forçadas a desviar de rota ou retornar, como o voo UAE325 da Emirates, que seguia de Seul para Dubai, mas teve que refazer seu trajeto sobre o Turcomenistão. Outro voo, o AUV7742 da FlyOne, entre Medina e Tashkent, parece ter retornado sobre o Golfo Pérsico.
A situação no Irã, segundo o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, indica que o regime dos aiatolás estaria em seus “últimos dias e semanas”. Merz comparou a repressão violenta aos manifestantes como um sinal de perda de confiança do regime, afirmando que um governo que se mantém apenas pela força está em seu fim.
Protestos sangrentos e ameaças de intervenção militar
Os protestos contra o regime de Khamenei no Irã, que começaram com queixas sobre a crise econômica, evoluíram para pedidos de queda da República Islâmica. Segundo a ONG Direitos Humanos no Irã (IHR), o número de mortos já ultrapassa os 3.400, sendo a maioria manifestantes. A contagem, baseada em fontes do Ministério da Saúde iraniano, refere-se apenas ao período de 8 a 12 de janeiro.
A dificuldade na apuração do número real de mortos é agravada pelo bloqueio à internet imposto pelo regime. Relatos de testemunhas descrevem a violência das forças de segurança, com alegações de massacres e execuções extrajudiciais. Mais de 18 mil manifestantes teriam sido presos, de acordo com a ONG norte-americana HRANA.
EUA ameaçam e Irã responde com contra-ataques
O presidente Donald Trump tem sido vocal em suas ameaças de intervenção militar, afirmando que “a ajuda está a caminho” para os manifestantes. A mídia americana especula sobre a iminência de um ataque ao Irã. Em resposta, Teerã denunciou os EUA à ONU, acusando Washington de buscar uma mudança de regime.
Um oficial iraniano de alto escalão informou à Reuters que o Irã atacará bases militares americanas no Oriente Médio caso seja bombardeado, e já notificou os países vizinhos. Em paralelo, os EUA iniciaram a evacuação de soldados de algumas de suas principais bases na região.
Trump envia mensagem direta aos manifestantes
Em um discurso em Detroit, Donald Trump dirigiu-se diretamente aos manifestantes iranianos, pedindo que guardassem os nomes dos “assassinos e dos que estão maltratando vocês”, prometendo que “eles vão pagar um preço muito alto”. Esta foi a segunda mensagem direta do presidente aos que protestam contra o regime de Ali Khamenei, reiterando que a “ajuda” dos EUA “está a caminho”.
Questionado sobre o significado de “ajuda”, Trump desconversou, pedindo para que a repórter “adivinhasse”. Ele também utilizou o slogan “Make America Great Again” (MAGA), adaptando-o para “Make Iran Great Again” (MIGA), em uma clara demonstração de apoio aos protestos.
Escalada de tensões e possível ataque iminente
Trump tem avaliado um relatório de possíveis ações militares contra o Irã, e sua equipe apresentará opções nesta terça-feira. Questionado sobre a possibilidade de ataques diretos ao território iraniano, o presidente americano respondeu enigmaticamente: “Vocês terão que descobrir”.
Um relatório de terça-feira indicava que cerca de 2.000 pessoas já teriam morrido nos protestos, que ocorrem em um país isolado após o corte de internet pelo regime Khamenei. Relatos de moradores descrevem forças de segurança atirando diretamente contra os manifestantes, em uma escalada de violência que tem gerado preocupação internacional.