Drama em Dubai: Família brasileira se abriga em subsolo com alertas de mísseis em meio a conflitos

Uma família brasileira vive dias de apreensão em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com a escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. O que era para ser uma viagem de lazer se transformou em uma experiência de medo, com a necessidade de se refugiar em áreas subterrâneas do prédio residencial a cada alerta de ataque.

A rotina de medo começou no quarto dia da viagem, quando a família recebeu o primeiro alerta em seus celulares. A orientação era clara: descer imediatamente para o subsolo do prédio para se proteger de possíveis mísseis. O susto foi grande, especialmente para as crianças, que foram levadas às pressas para o lobby e depois para o estacionamento.

Desde então, os alertas se tornaram frequentes, transformando a estadia em um pesadelo. A incerteza sobre o retorno ao Brasil se soma ao constante temor das explosões, com voos cancelados e a dificuldade em conseguir novas passagens. As informações foram divulgadas pelo g1.

Alerta de mísseis transforma viagem em pânico em Dubai

A família brasileira estava hospedada em um apartamento alugado no 54º andar de um prédio residencial próximo ao Burj Khalifa. O que era para ser uma estadia de dez dias, comemorando aniversário de casamento, mudou drasticamente na noite de 28 de fevereiro. Um alerta de mísseis soou em todos os aparelhos celulares e smartwatches, ordenando que todos buscassem abrigo imediatamente.

O som alto e repentino dos alarmes causou grande pânico, especialmente nas filhas do casal. Elas foram levadas às pressas para o lobby do prédio. A altura do apartamento, no 54º andar, aumentava a sensação de vulnerabilidade.

Permaneceram no lobby por cerca de duas horas, até que uma nova mensagem indicou que a situação estava aparentemente normalizada. No entanto, a família optou por se dirigir ao estacionamento, também uma área subterrânea, para maior segurança. Essa experiência se repetiu diversas vezes.

Rotina de medo com alertas constantes e voos cancelados

Desde o primeiro incidente, os alertas de risco se tornaram parte da rotina da família. A cada nova mensagem de míssil se aproximando, era preciso correr para o abrigo. A inexperiência com um cenário de guerra intensificava o estresse e o medo, relatou a brasileira ao g1.

Ao todo, a família afirma ter recebido entre cinco e seis alertas desde o início do conflito. A situação se agravou com o cancelamento do voo de retorno ao Brasil, originalmente marcado para 8 de março. No dia 5 de março, foram informados que a viagem só seria remarcada para o dia 13.

Diante da incerteza e dos novos alertas de risco, a família decidiu comprar novas passagens por conta própria, na tentativa de antecipar o retorno. A preocupação é com a segurança e a tranquilidade de voltar para casa.

Orientação e apoio em meio à crise em Dubai

A brasileira mencionou que, segundo informações que chegaram a ela, há cerca de 15 mil brasileiros na região, mas nem todos desejam retornar. A situação é descrita como delicada. O governo brasileiro tem divulgado orientações gerais através do consulado, com telefones de emergência e sugestões de rotas de saída por países como a Arábia Saudita ou Omã.

Luiza Costa Russo, advogada especialista em Direito do Passageiro Aéreo, recomenda que os viajantes priorizem a segurança e sigam as orientações das autoridades locais. Ela também sugere procurar apoio das embaixadas ou consulados brasileiros, e, em casos específicos, do Ministério das Relações Exteriores para operações de repatriação.

A especialista explica que o fechamento do espaço aéreo por conflitos é considerado força maior, o que isenta as companhias aéreas de responsabilidade por prejuízos. A reorganização de passageiros após cancelamentos em massa é complexa, dada a alta demanda por novos assentos, tornando a solução imediata difícil.