Exportações brasileiras para os Estados Unidos sofrem nova queda em maio, com recuo de 14% em relação ao ano anterior. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) indicam que o cenário desafiador para o comércio bilateral com os EUA persiste desde a imposição de tarifas.
Apesar da continuidade no recuo das exportações para o mercado americano, o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, avalia que ainda é cedo para cravar uma mudança estrutural nas relações comerciais. Ele ressalta que fluxos de comércio exterior demandam tempo para se ajustar.
Brandão explica que a composição da pauta de exportações e a natureza dos bens influenciam a velocidade dessa adaptação. Produtos como commodities e alimentos, que compõem boa parte do intercâmbio com os EUA, como petróleo, celulose, carne e café, podem apresentar flutuações mais rápidas.
O diretor também aponta que o ritmo de queda nas exportações para os Estados Unidos tem diminuído nos últimos meses. Em maio, a redução foi de 14%, um patamar inferior às quedas registradas anteriormente, como os 35% de outubro do ano passado e os 26% de janeiro deste ano. Essa desaceleração sugere uma possível estabilização ou ajuste gradual.
Comércio com EUA e o cenário chinês
Em maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 3,09 bilhões, representando uma queda de 14%. As importações, por sua vez, caíram 11%, totalizando US$ 3,21 bilhões, o que gerou um déficit comercial de US$ 121 milhões no mês. No acumulado de janeiro a maio, o déficit comercial com os EUA atingiu US$ 1,47 bilhão.
Enquanto isso, a China se consolida cada vez mais como o principal destino das exportações brasileiras. Em maio, as vendas para o país asiático cresceram 9,5%, alcançando US$ 10,5 bilhões. As importações chinesas também avançaram, com um aumento de 24,2%, totalizando US$ 6,8 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões para o Brasil no mês.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações para a China registraram um expressivo aumento de 21,8%, chegando a US$ 43,26 bilhões. A participação chinesa na pauta exportadora brasileira subiu de 32,1% para 32,9% no período, demonstrando a crescente importância estratégica deste mercado para o Brasil.
Petróleo e o impacto do conflito no Oriente Médio
O conflito no Oriente Médio teve um impacto significativo no desempenho das exportações brasileiras, especialmente nos derivados de petróleo. Segundo Herlon Brandão, os choques de oferta decorrentes da guerra elevaram os preços internacionais, impulsionando o valor exportado pelo Brasil.
Em maio, as exportações de óleos combustíveis registraram um crescimento expressivo de 75,2% em volume e 49,8% em valor. No entanto, as exportações de petróleo bruto apresentaram queda de 9,3% em valor e 42,1% em volume, um movimento que o diretor do Mdic considera pontual e não relacionado ao imposto de exportação.
Brandão assegura que o Brasil continua competitivo no mercado internacional de petróleo, mesmo com a elevação de preços, e que investimentos na produção seguem ocorrendo, como a entrada em operação de uma nova plataforma de produção de petróleo em fevereiro deste ano.
Saldo comercial positivo e impulsionado por commodities
O Brasil acumulou um superávit comercial de US$ 32,662 bilhões nos primeiros cinco meses de 2026, um valor superior aos US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Esse resultado positivo foi impulsionado principalmente pelo forte desempenho das exportações para a China e pelo setor de energia e commodities.
A venda de bens primários com cotação internacional, como petróleo e minérios, juntamente com o aumento das exportações de derivados de petróleo, contribuíram significativamente para o saldo comercial brasileiro. O país demonstra resiliência e capacidade de adaptação em seu comércio exterior, mesmo diante de cenários globais voláteis.