Cerveja Brasileira Conquista o Mundo com Receita Recorde, Mas Perde Impulso Internamente
As exportações de cervejas brasileiras registraram um desempenho notável em 2025, alcançando um valor recorde. No entanto, este sucesso no exterior contrasta com uma desaceleração significativa no mercado interno, onde o crescimento do setor atingiu seu menor índice histórico.
O levantamento, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em seu Anuário da Cerveja 2026, revela um cenário complexo para a indústria cervejeira nacional. A análise detalhada aponta para uma mudança no perfil do setor, com maior foco em valor agregado nas exportações.
Compreender esses movimentos é crucial para avaliar o futuro da produção e comercialização de cervejas no Brasil. As tendências observadas em 2025 oferecem insights valiosos sobre os desafios e oportunidades que se apresentam para fabricantes e consumidores.
Exportações em Alta: Valor Cresce, Volume Diminui
Em 2025, o Brasil exportou cervejas no valor de **US$ 218,3 milhões**, representando um aumento de 6,9% em relação ao ano anterior. Curiosamente, o volume exportado apresentou uma queda de 5,1%. Essa discrepância sugere que o setor tem conseguido agregar maior valor aos seus produtos no mercado internacional, focando em itens de maior qualidade ou com maior margem de lucro.
América do Sul Lidera Destinos da Cerveja Brasileira
O Paraguai se consolidou como o principal comprador de cervejas brasileiras, absorvendo 62,3% do total exportado. De forma geral, os países da América do Sul foram os maiores receptores, concentrando impressionantes 98,5% das exportações do setor. Isso demonstra a forte integração regional da indústria cervejeira brasileira.
Desaceleração no Mercado Interno e Menor Criação de Cervejarias
Em contrapartida ao sucesso das exportações, o mercado interno de cervejas apresentou o menor crescimento desde o início da série histórica em 2000. O número de cervejarias no país saltou de 1.949 em 2024 para 1.954 em 2025, um **aumento modesto de apenas 0,3%**. Este ritmo lento de expansão indica uma saturação ou maior dificuldade na abertura de novos estabelecimentos.
Adicionalmente, o período registrou um aumento expressivo no número de cancelamentos e vencimentos de registros, com 158 ocorrências em 2025, uma alta de 42,3% em comparação com o ano anterior. Este dado reforça a ideia de um mercado interno mais desafiador.
Diversidade de Produtos e Liderança Paulista
Apesar da desaceleração na criação de novas cervejarias, a quantidade de produtos disponíveis no mercado brasileiro continuou a crescer. O país encerrou 2025 com 44.212 cervejas registradas, um aumento de 2,4% em relação a 2024. O número de marcas cadastradas atingiu a marca de 56.170, evidenciando a **grande diversidade de rótulos** à disposição dos consumidores.
O Estado de São Paulo reafirmou sua posição como líder nacional em número de cervejarias, abrigando 452 estabelecimentos. A região Sudeste como um todo mantém a predominância, concentrando 47,2% de todas as cervejarias do Brasil, segundo o Mapa.