Exército sírio anuncia operação para expulsar forças curdas de bairro estratégico em Aleppo, elevando preocupações com crise humanitária.

O Exército sírio declarou nesta sexta-feira (9) o início de uma operação de segurança com o objetivo de remover as forças curdas do bairro de Sheikh Maksoud, em Aleppo. A ação ocorre após os grupos curdos terem recusado a exigência do governo para que se retirassem da área.

A decisão do Exército de expulsar à força os combatentes curdos de Sheikh Maksoud, um enclave controlado por eles em Aleppo, foi justificada pelo fracasso do cessar-fogo na cidade. A violência na região já deixou ao menos 21 mortos desde terça-feira.

Conforme informações divulgadas por oficiais de segurança sírios, a operação visa restabelecer o controle governamental sobre o bairro. A escalada da violência força milhares de civis a fugir, com estimativas da ONU indicando que pelo menos 30 mil famílias foram deslocadas pela situação.

Combates e Cessar-Fogo Frágil em Aleppo

Um cessar-fogo anunciado no início desta sexta-feira parecia estar em vigor na manhã, segundo relatos de correspondentes. No entanto, a situação permaneceu tensa, com relatos de que forças de segurança sírias começaram a entrar no bairro curdo de Ashrafieh, que faz parte de Sheikh Maksoud, utilizando veículos para a evacuação de combatentes.

Um pequeno número de civis também deixava a área, indicando a movimentação em curso. As autoridades sírias informaram que os combatentes curdos seriam evacuados com suas armas leves para a zona autônoma curda no nordeste do país, com a garantia de passagem segura.

Contudo, os combatentes curdos manifestaram sua recusa em deixar Ashrafieh e Sheikh Maqsud, onde se encontram entrincheirados. Os comitês locais declararam: “Decidimos permanecer em nossos bairros e defendê-los”, rejeitando qualquer forma de “rendição”.

Reações Internacionais e Relações Regionais

Os Estados Unidos expressaram preocupação com o custo humanitário do conflito e o risco de colapso na região. Tom Barrack, enviado americano para a Síria, afirmou nas redes sociais que os EUA expressam “profunda gratidão a todas as partes pela contenção e pela boa vontade que tornaram possível essa trégua vital”.

A violência em Aleppo intensifica a rivalidade entre Israel e Turquia, países que disputam influência na Síria. Ancara, aliada do governo sírio, declarou estar disposta a “apoiar” o Exército sírio em sua “operação antiterrorista” contra os combatentes curdos. A Turquia já realizou diversas operações contra forças curdas em seu território entre 2016 e 2019.

Por outro lado, Israel, que mantém negociações com Damasco para um acordo de segurança, condenou os “ataques” do governo sírio contra a minoria curda. O presidente sírio, Ahmad al-Chareh, discutiu a situação em Aleppo em conversas telefônicas com líderes internacionais, incluindo o presidente turco Recep Tayyip Erdogan e o presidente francês Emmanuel Macron.

Diálogo e Preocupações Humanitárias

Em conversa com o presidente turco, al-Chareh ressaltou a determinação em “pôr fim à presença armada ilegal” na cidade. Já com o presidente francês, Macron, o líder sírio assegurou que o governo considera os curdos “parte integrante do tecido nacional e um parceiro essencial na construção do futuro da Síria”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, visitou Damasco nesta sexta-feira, sendo a mais alta autoridade da UE a visitar a Síria desde o fim de 2024. Anteriormente, a União Europeia havia instado as partes em conflito em Aleppo a demonstrarem “moderação e proteger os civis”.

As autoridades sírias afirmam ter concedido três horas na quinta-feira para que civis fugissem por dois “corredores humanitários”, pelos quais cerca de 16 mil pessoas teriam passado. Ambas as partes trocam acusações sobre o início dos confrontos na terça-feira.

O chefe das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazlum Abdi, avaliou que “as tentativas de atacar bairros curdos, em plena fase de negociação, minam as possibilidades de se chegar a um acordo”. A situação em Aleppo continua a ser um ponto crítico no complexo cenário sírio.