Exército Brasileiro Adquire Sistema de Defesa Antiaérea Italiano de Última Geração
O Exército Brasileiro dará um salto significativo em sua capacidade de defesa com a aquisição de um moderno sistema antiaéreo de média altura e alcance, proveniente da Itália. A decisão, oficializada por meio de uma portaria assinada pelo general Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado Maior do Exército, estabelece diretrizes para a compra e cooperação no desenvolvimento desses equipamentos, fortalecendo a segurança nacional.
Esta iniciativa faz parte do projeto de modernização Força 40, que visa aprimorar as capacidades militares do Brasil até 2039. A implementação deste novo sistema antiaéreo representa um avanço crucial, visto que o país atualmente dispõe apenas de defesas de baixa altura, com alcance limitado.
O acordo bilateral entre Brasil e Itália, com potencial de investimento próximo a R$ 4 bilhões, segundo fontes próximas ao assunto, promete não apenas o fornecimento de equipamentos de ponta, mas também condições favoráveis de financiamento, manutenção e suporte de longo prazo, garantindo a longevidade e eficácia da defesa antiaérea brasileira. A informação foi divulgada pelo próprio Exército, conforme apurado pela Folha.
Jundiaí Centraliza Futura Defesa Antiaérea do Exército
O município de Jundiaí, localizado no interior de São Paulo, foi escolhido como centro nevrálgico para a futura defesa antiaérea do Exército Brasileiro. O 12º GAC (Grupo de Artilharia de Campanha) da cidade foi rebatizado para 12º GAAAe (12º Grupo de Artilharia Antiaérea), sinalizando a importância estratégica da região para esta nova capacidade militar.
Tecnologia Italiana Emads: Um Salto em Alcance e Performance
O sistema a ser adquirido é o Emads (Enhanced Modular Air Defense Solutions), uma solução modular de defesa aérea desenvolvida pelo grupo multinacional MBDA, com forte participação italiana. Este sistema utiliza mísseis CAMM-ER (mísseis de alcance estendido), que podem atingir altitudes de até 15 km e cobrir um raio de 40 km, podendo chegar a 60 km. Essa tecnologia é semelhante à utilizada pela Marinha do Brasil em fragatas em construção.
A escolha do Emads se justifica pela necessidade de lidar com a evolução das ameaças aeroespaciais globais e regionais. A capacidade de defesa antiaérea de média altura e alcance é considerada imprescindível para solucionar problemas decorrentes de conflitos em larga escala, que frequentemente empregam meios aéreos avançados e de alta letalidade, conforme detalhado em portaria do Exército.
Cooperação Bilateral e Histórico de Parcerias Militares
A portaria assinada pelo Exército ressalta o histórico de acordos bilaterais entre Brasil e Itália no setor de defesa. Desde a aquisição dos primeiros submarinos brasileiros em 1914, passando por aeronaves e blindados, a parceria tem se mostrado sólida e vantajosa para o fortalecimento das Forças Armadas brasileiras. A estrutura de cooperação governo a governo (G2G) italiana é apontada como um fator facilitador para a obtenção de melhores condições contratuais e de suporte.
O novo sistema antiaéreo deverá ser composto por três baterias, sendo uma de comando e duas de mísseis, cada uma equipada com lançadores de oito células. O contrato prevê o fornecimento de 60 mísseis por bateria, sendo 48 operacionais e 12 para treinamento. Inicialmente, 20 militares serão treinados no exterior, com possibilidade de que o treinamento seja realizado no Brasil futuramente.
Investimento Estratégico em Meio a Tensões Regionais
A decisão de investir em defesa antiaérea de média altura, um plano em discussão desde 2012, ganha ainda mais relevância diante do cenário geopolítico atual. Embora o general Marcos José Martins Coelho tenha afirmado à Folha em outubro que a compra não está diretamente ligada a eventos específicos, como a captura de Nicolás Maduro pela ação militar dos EUA, ele ressaltou que a necessidade do equipamento é reforçada pela proximidade com países fronteiriços e pela evolução da situação mundial.
O Brasil chegou a considerar outras opções, como o sistema alemão IRIS-T SLM/SLS e o francês Aster (SAMP/T), mas optou pela solução italiana, que promete oferecer um pacote completo de tecnologia e suporte a longo prazo, alinhado às ambições de modernização do Exército Brasileiro.