David Rivera, ex-deputado republicano, enfrenta uma pena de 10 anos de prisão após ser condenado por lobby ilegal para a Venezuela. As acusações incluem atuar como agente estrangeiro sem registro e lavagem de dinheiro, em um caso que lança luz sobre as complexas relações políticas e financeiras internacionais.
O ex-congressista norte-americano David Rivera, de 61 anos, foi sentenciado a uma década atrás das grades nos Estados Unidos. A condenação, ocorrida na última sexta-feira, 2 de outubro de 2026, o declarou culpado de operar secretamente como um agente estrangeiro e de conspirar para lavar dinheiro em benefício do governo venezuelano.
Rivera estava envolvido em um contrato de consultoria milionário com a PDV USA, uma subsidiária da estatal petrolífera venezuelana PDVSA. O acordo, no valor de US$ 50 milhões, visava aproximar o regime de Nicolás Maduro da administração do então presidente Donald Trump e atenuar as sanções econômicas impostas a Caracas.
O cerne da acusação reside na omissão de Rivera em registrar o contrato conforme exigido pela Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA) dos EUA. Ele teria agido às escondidas, temendo que a revelação de seus serviços para o governo venezuelano prejudicasse sua imagem política como anticomunista na Flórida, conforme divulgado na notícia.
A Rede de Comunicação Criptografada e os Nomes de Código
Para manter suas negociações sob sigilo, o ex-parlamentar utilizou um grupo de mensagens criptografadas. Neste grupo, figurava o empresário de mídia venezuelano Raúl Gorrín. As comunicações internas empregavam nomes de código para se referir às figuras envolvidas, adicionando uma camada de mistério e complexidade ao caso.
Nicolás Maduro era identificado como o “motorista do ônibus”, enquanto o congressista Pete Sessions era chamado de “Sombrero”. Delcy Rodríguez, atual presidente interina da Venezuela, recebia o codinome “A Dama de Vermelho”, e o atual Secretário de Estado, Marco Rubio, era referido como “Miss Clairol”. Essas designações secretas foram reveladas durante as investigações.
Lavagem de Dinheiro e Desvio de Fundos
As investigações conduzidas pela Justiça dos EUA apontaram que parte significativa dos recursos recebidos por Rivera foi desviada através de contratos fraudulentos. Estima-se que cerca de US$ 3,75 milhões foram transferidos para uma empresa especificamente encarregada da manutenção do luxuoso iate de Raúl Gorrín, evidenciando um esquema de lavagem de dinheiro.
A defesa de David Rivera argumentou durante o julgamento que o contrato tinha como objetivo atrair a petrolífera ExxonMobil de volta à Venezuela, uma atividade que, segundo eles, estaria isenta da necessidade de registro como agente estrangeiro. A equipe de defesa já anunciou que irá recorrer da decisão judicial.
Outros Processos e Pedido de Indulto
Além da condenação recente, o ex-deputado também solicitou um indulto presidencial. Rivera ainda responde a um processo separado na Justiça federal em Washington, D.C., que também está relacionado a atividades de lobby. O caso demonstra a persistência das investigações sobre suas ações e sua relação com o governo venezuelano.