EUA buscam novo acordo nuclear tripartido, mas enfrentam resistência da China e da Rússia

Os Estados Unidos apresentaram na ONU um pedido formal para renegociar um tratado nuclear que inclua a Rússia e a China. A proposta visa estabelecer um novo marco para o controle de armas atômicas em um cenário global em constante mudança.

No entanto, a iniciativa americana não obteve eco positivo imediato. A China rejeitou a inclusão em um novo acordo, enquanto a Rússia sugeriu a participação de outros países com poder nuclear, como Reino Unido e França.

Essa movimentação diplomática ocorre em um momento crucial, com o tratado New START, último acordo bilateral entre EUA e Rússia, tendo expirado recentemente sem uma extensão acordada. As tensões aumentam com a rápida expansão do arsenal chinês, que segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), possuía ao menos 600 ogivas nucleares em janeiro de 2025.

EUA criticam expansão chinesa e apontam falhas no New START

Thomas DiNanno, subsecretário dos EUA para o controle de armas, declarou na conferência sobre desarmamento na ONU que um tratado bilateral já não é suficiente. Ele argumentou que o New START perdeu sua relevância diante da expansão acelerada do arsenal nuclear chinês, comparável a uma escala não vista há mais de meio século. DiNanno acusou a China de uma “expansão sem limites nem transparência” e reiterou alegações de que Pequim realizou testes nucleares.

“O arsenal nuclear inteiro da China não tem limites, nem transparência, nem declarações, nem mecanismos de controle”, afirmou DiNanno, sublinhando a falta de clareza sobre as capacidades nucleares chinesas. Ele também criticou o tratado New START, chamando-o de “falho” devido a “violações russas sucessivas, o crescimento dos estoques globais e falhas no desenho e na implementação”.

China recusa participação, Rússia pede inclusão de aliados dos EUA

O representante da China na conferência de desarmamento negou a necessidade de seu país integrar um novo acordo nuclear. Pequim argumenta que seu arsenal é significativamente menor que o dos Estados Unidos e da Rússia, e que, portanto, impor limites às suas capacidades seria desnecessário.

Em contrapartida, o embaixador da Rússia na ONU propôs que o Reino Unido e a França, aliados dos EUA e potências nucleares europeias, também fossem incluídos nas negociações para um controle mais amplo de armas nucleares. Essa postura sugere um desejo russo de expandir o escopo das discussões para além de um acordo estritamente tripartido.

O fim do New START e as negociações nos bastidores

O tratado New START, último acordo em vigor entre EUA e Rússia para limitar seus arsenais nucleares, expirou recentemente. Assinado em 2010 e em vigor desde 2011, o acordo estabelecia limites de 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 700 mísseis e bombardeiros de longo alcance para cada país, além de prever inspeções mútuas. As inspeções, contudo, foram suspensas em março de 2020 devido à pandemia de Covid-19.

Recentemente, o site americano “Axios” revelou que EUA e Rússia estariam negociando um prolongamento do tratado, com avanços nas conversas, mas sem consenso final. Uma autoridade da Casa Branca indicou que “haverá notícias” sobre o New START, sugerindo negociações ativas nos bastidores e a possibilidade de a China ser incluída em um futuro acordo.

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também criticou o New START em suas redes sociais, sugerindo a negociação de um novo tratado “aprimorado” e afirmando ter evitado “guerras nucleares” durante sua gestão, mas que o acordo não deveria ser renovado.