EUA e Israel em Discussões sobre o Irã: Alerta Máximo e Ameaças de Retaliação
Uma conversa telefônica entre o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o Premier israelense, Benjamin Netanyahu, no último sábado (10), reacendeu preocupações sobre uma possível intervenção no Irã. A discussão ocorreu em um momento de intensa escalada de violência nos protestos generalizados contra o governo iraniano, segundo informações da agência Reuters.
O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do Presidente Donald Trump, manifestou publicamente seu apoio aos manifestantes. Trump declarou que os EUA estão “prontos para ajudar” aqueles que buscam liberdade no Irã. Notícias da mídia norte-americana indicam que o presidente tem sido informado sobre diversas opções, incluindo a possibilidade de um ataque militar e outras formas de apoio aos protestantes iranianos.
Em resposta a essa atmosfera de tensão, o Irã emitiu neste domingo (11) sérias ameaças de retaliação contra Israel e bases militares dos Estados Unidos caso o país seja alvo de bombardeios americanos. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que as instalações americanas seriam consideradas “alvos legítimos”, conforme divulgado pela Reuters.
Protestos Intensificados e Repressão Violenta no Irã
Os protestos no Irã, que já se estendem há algum tempo, têm ganhado força e violência. A ONG “Iran Human Rights”, com sede na Noruega, atualizou o balanço de mortos para pelo menos 192 vítimas neste domingo (11). Anteriormente, outro grupo de direitos humanos, o HRANA, reportava 116 mortos. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, admitiu que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã reafirmou o compromisso de proteger a segurança nacional.
Acusações Mútuas e Pressão Internacional
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos e Israel de “semear caos e desordem” no país, fomentando confrontos nas ruas. Ele também pediu à população que se distancie de “badernistas e terroristas”. Paralelamente, Pezeshkian buscou uma aproximação com a população, afirmando que o governo está disposto a “ouvir seu povo” e resolver as questões econômicas.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em pronunciamento transmitido pela TV estatal na sexta-feira (9), declarou que seu governo “não vai recuar” diante dos protestos, classificando os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”. Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, afirmou que o Irã está “em plena guerra” e que alguns “incidentes” foram “orquestrados no exterior”.
Contexto de Fragilidade e Sanções Internacionais
O regime iraniano também acusou os Estados Unidos de incitar os protestos, alegações que o Departamento de Estado americano classificou como “delirantes” e uma tentativa de desviar a atenção dos problemas internos do regime. A repressão do governo iraniano aumentou neste sábado, segundo a agência AFP. O Irã não via um movimento de protesto dessa magnitude desde as manifestações de 2022, após a morte de Mahsa Amini.
As atuais manifestações ocorrem em um momento de fragilidade para o Irã, especialmente após conflitos recentes e perdas de aliados regionais. Além disso, em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear do país, adicionando mais pressão ao cenário geopolítico.