EUA Atacam Irã: 7 Cenários Possíveis Que Podem Mudar o Oriente Médio Para Sempre

Se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidir ordenar um ataque militar contra o Irã, o cenário global pode ser drasticamente alterado. Diversos desdobramentos são possíveis, variando de uma mudança de regime a uma retaliação intensa.

Embora os alvos potenciais sejam em grande parte previsíveis, o resultado final de um conflito é incerto. A BBC News, através de seu correspondente Frank Gardner, detalha sete possíveis cenários que podem surgir caso os EUA optem pela ação militar.

Essas projeções, baseadas em análises de especialistas, oferecem um panorama do que pode acontecer, desde um colapso total do regime iraniano até uma guerra regional de proporções imprevisíveis. As informações foram divulgadas pela BBC News.

1. Mudança de Regime e Democracia: Um Cenário Otimista Improvável

Neste cenário, ataques limitados e precisos das forças aéreas e navais dos EUA visariam bases do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, unidades paramilitares, locais de mísseis e instalações nucleares iranianas. A esperança seria derrubar um regime enfraquecido e permitir uma transição para uma democracia genuína, reintegrando o Irã ao cenário mundial.

No entanto, a história recente mostra que intervenções militares ocidentais, como no Iraque e na Líbia, não resultaram em transições democráticas suaves, mas sim em anos de caos e conflitos. A experiência da Síria, que derrubou seu presidente sem intervenção externa, tem apresentado resultados mais promissores até o momento, segundo a análise.

2. Moderação Forçada: O “Modelo Venezuelano”

Outra possibilidade é que uma ação rápida e contundente dos EUA mantenha o regime iraniano no poder, mas o force a moderar suas políticas. Isso implicaria a sobrevivência da República Islâmica, o que não agradaria a todos os iranianos, mas exigiria a redução do apoio a milícias no Oriente Médio, o fim ou limitação dos programas nucleares e de mísseis, e o alívio da repressão interna.

Contudo, este cenário é considerado pouco provável, visto que a liderança iraniana tem se mostrado resistente a mudanças por 47 anos. A análise sugere que o regime atual parece incapaz de alterar seu curso neste momento, o que torna a moderação forçada um desfecho improvável.

3. Fortalecimento do Regime Militar

Muitos analistas consideram este o desfecho mais provável. Apesar da impopularidade do regime e dos protestos recorrentes, o Irã possui um vasto aparato de segurança com interesse em manter o status quo. A ausência de deserções militares significativas e a disposição em usar força bruta impediram derrubadas anteriores.

Em meio ao caos de ataques americanos, é possível que o Irã acabe sendo governado por um regime militar forte, majoritariamente composto por membros da Guarda Revolucionária. Essa transição para um controle militar mais direto poderia consolidar o poder em um cenário de instabilidade.

4. Retaliação Iraniana em Larga Escala

O Irã já prometeu retaliar qualquer ataque dos EUA, declarando que “seu dedo está no gatilho”. Embora em desvantagem tecnológica, o Irã poderia usar seu arsenal de mísseis balísticos e drones, muitos deles escondidos, para atingir bases americanas no Golfo, como no Bahrein e Catar.

Além disso, o Irã poderia visar infraestruturas críticas de países considerados cúmplices, como a Jordânia. O ataque à Saudi Aramco em 2019, atribuído a milícias apoiadas pelo Irã, demonstrou a vulnerabilidade da região a mísseis iranianos, gerando apreensão entre os vizinhos árabes, todos aliados dos EUA.

5. Bloqueio do Estreito de Ormuz e Impacto no Petróleo

A ameaça de o Irã fechar o Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o transporte marítimo global, é uma preocupação constante. Por ali, passam cerca de 20% das exportações mundiais de gás natural liquefeito (GNL) e entre 20% e 25% do petróleo e derivados.

O Irã já realizou exercícios de implantação de minas marítimas. Caso essa capacidade seja utilizada, o impacto sobre o comércio mundial e os preços do petróleo seria inevitável, afetando economias globalmente e gerando uma crise energética de grandes proporções.

6. “Ataque Enxame” e Risco a Navios de Guerra

Uma das ameaças mais preocupantes para a Marinha dos EUA é o “ataque enxame”, onde o Irã lança simultaneamente um grande número de drones explosivos e embarcações rápidas. Essa tática visa sobrecarregar as defesas americanas, tornando impossível neutralizar todos os projéteis a tempo.

A Marinha da Guarda Revolucionária, especializada em guerra assimétrica, busca contornar a superioridade tecnológica da Quinta Frota dos EUA. O afundamento de um navio de guerra americano, com possível captura de tripulantes, seria uma humilhação significativa, mesmo que considerado um cenário improvável.

7. Guerra Civil e Crise Humanitária

Além da possibilidade de guerra direta, existe o risco de o Irã mergulhar em uma guerra civil, semelhante à Síria, Iêmen e Líbia. Tensões étnicas latentes entre curdos, balúchis e outras minorias poderiam explodir em conflitos armados diante de um vácuo de poder nacional.

Embora muitos no Oriente Médio, especialmente Israel, desejem o fim do regime iraniano e temam seu programa nuclear, ninguém quer ver o país mais populoso da região mergulhar no caos. Uma crise humanitária e de refugiados em larga escala seria uma consequência devastadora, com repercussões globais imprevisíveis e potencialmente danosas.