Anatel permite que empresas troquem multas por internet em faculdades públicas

Uma decisão inovadora do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abre caminho para que empresas de telecomunicações quitem multas ao invés de pagá-las em dinheiro. A proposta permite que as companhias invistam na instalação de conectividade à internet em 118 unidades de universidades públicas e institutos federais que enfrentam problemas de acesso.

Esta iniciativa, que soma R$ 29 milhões em multas a serem negociadas, visa melhorar a infraestrutura digital em instituições de ensino superior localizadas em 72 municípios. As empresas beneficiadas com essa possibilidade de troca de dívida por investimento são Telefônica, Claro, Tim e Sky.

O conselheiro Octavio Pieranti explicou que a medida busca substituir o pagamento direto das multas por uma contrapartida concreta em prol da educação e pesquisa. A iniciativa, aprovada por unanimidade pelos conselheiros, representa um marco na forma como as multas regulatórias podem ser utilizadas em benefício da sociedade, conforme divulgado pela Anatel.

Conectividade para a Educação Nacional

A determinação da Anatel estabelece que as prestadoras de serviços de telecomunicações deverão garantir a conexão de unidades de ensino à internet, utilizando a rede da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). A RNP é uma organização social responsável por fornecer infraestrutura de internet para faculdades e centros de pesquisa no país.

Pieranti detalhou que, caso as empresas optem por não cumprir essa obrigação de conectar as unidades, elas podem converter essa determinação em pagamento de multa, mas perderão um desconto de 5% previsto na negociação. A Anatel identificou diversas áreas, especialmente em campi universitários, que possuem dificuldades de acesso à rede de alta velocidade.

Universidades e Institutos Federais são os maiores beneficiados

O objetivo principal da Anatel com esta medida é estender o acesso à internet de alta velocidade e aos serviços de integração acadêmica para unidades mais afastadas ou que, por alguma razão, ainda não estão conectadas à rede da RNP. Essa ação busca democratizar o acesso à informação e às ferramentas digitais essenciais para o desenvolvimento acadêmico e científico.

O conselheiro Octavio Pieranti ressaltou que, além das 118 unidades já mapeadas, existem outras 226 que também podem necessitar de conectividade. Ele enfatizou que não há uma prioridade regional específica para a implantação dos serviços. A escolha das unidades pelas empresas segue um critério de diversidade regional, garantindo que as obrigações sejam distribuídas por diferentes macro-regiões do país.

Critério de Diversidade Regional na Implantação

As empresas que aderirem ao programa poderão selecionar as unidades a serem beneficiadas a partir de uma lista fornecida. O critério estabelecido é que a segunda unidade conectada pela mesma empresa precise estar em uma macro-região diferente da primeira. Da mesma forma, a terceira unidade deverá pertencer a outra macro-região distinta das duas anteriores.

Essa abordagem visa assegurar que o benefício da melhoria da conectividade se espalhe geograficamente, alcançando o maior número possível de instituições e regiões do Brasil que necessitam urgentemente de infraestrutura de internet robusta para fins educacionais e de pesquisa.