Keiko Fujimori e Roberto Sánchez: Rivais com Passados Políticos se Enfrentam no 2º Turno Presidencial Peruano
O Peru se prepara para um segundo turno eleitoral decisivo neste domingo, 7 de julho. A disputa presidencial colocará frente a frente Keiko Fujimori, conservadora e herdeira política de um ex-presidente condenado, e Roberto Sánchez, um esquerdista conhecido por seu icônico chapéu camponês. As pesquisas indicam um cenário de grande indefinição, com a possibilidade de uma vitória apertada para qualquer um dos candidatos.
O primeiro turno já demonstrou a polarização e a dificuldade em prever resultados no país, com a definição dos finalistas ocorrendo após um mês de contagem voto a voto. Ambos os candidatos possuem trajetórias marcadas na política peruana, carregando consigo legados e controvérsias que dividem a opinião pública.
A disputa reflete as tensões históricas e as diferentes visões para o futuro do Peru. A eleição definirá não apenas quem comandará o país, mas também qual caminho será seguido em termos de políticas públicas, economia e justiça social. Conforme apurado pelo g1, o Peru se encontra em um momento crucial de sua história democrática.
Keiko Fujimori: A Busca pela Presidência e o Legado Paterno
Keiko Fujimori, que liderou o primeiro turno com 17,17% dos votos, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, figura controversa que governou o Peru por mais de uma década e foi posteriormente condenado por violações de direitos humanos. O legado de seu pai ainda é um ponto sensível para a sociedade peruana, dividida entre aqueles que creditam a ele a estabilidade econômica e o combate ao terrorismo nos anos 90, e os que o criticam pelo autoritarismo e pela repressão.
Esta é a quarta tentativa de Keiko Fujimori de alcançar a presidência, tendo chegado ao segundo turno em todas as ocasiões anteriores. Embora em campanhas passadas tenha buscado se distanciar da imagem paterna, nesta eleição ela tem se alinhado a políticas implementadas durante o governo de Alberto Fujimori. Aos 51 anos, com formação em administração, Keiko tem se apresentado como a candidata capaz de restaurar a ordem e a segurança no país, explorando o atual contexto de violência e criminalidade.
Sua plataforma inclui o endurecimento de leis antiterroristas, um papel ampliado para os militares no combate à violência e uma promessa de “guerra frontal” contra o crime. Apesar das controvérsias passadas, incluindo investigações por financiamento irregular de campanha que foram arquivadas, Keiko tem trabalhado para reduzir seus índices de rejeição, que caíram de 59% para 40% entre o primeiro e o segundo turno, segundo o Ipsos Peru. Ela também promete programas sociais para famílias de baixa renda.
Roberto Sánchez: O Representante da Esquerda e a Nova Constituição
Roberto Sánchez, de 57 anos, emergiu como uma surpresa nas eleições, crescendo nas pesquisas nas semanas finais e garantindo seu lugar no segundo turno com 12,03% dos votos. Vindo de uma família indígena do sul do Peru, Sánchez se apresenta como um defensor de um novo começo para o país, incluindo a elaboração de uma nova Constituição, contrastando com a atual, promulgada durante o governo Fujimori.
Sánchez foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, que foi deposto e preso em 2022 sob acusações de tentativa de golpe de Estado. O candidato visita Castillo frequentemente na prisão e afirmou que lhe concederia indulto caso eleito, embora negue que isso signifique devolver o poder ao ex-aliado. Sua imagem pública é frequentemente associada a um chapéu de palha tradicional da região andina de Cajamarca, um acessório que simboliza suas raízes e sua conexão com o povo.
Em sua plataforma, Sánchez propõe uma maior supervisão estatal sobre os recursos naturais, a taxação de grandes fortunas e reformas profundas no combate à corrupção, com penas mais severas e a proibição vitalícia de ocupar cargos públicos. Ele também defende o apoio das Forças Armadas à polícia no enfrentamento ao crime organizado. Sánchez, que se declara católico, apoia o aborto em casos de estupro ou risco de vida para a gestante e se opõe a qualquer forma de discriminação. No entanto, ele também enfrenta polêmicas, com um promotor peruano o acusando de falsidade em declarações e de falsificar informações de campanha.
Um Cenário Eleitoral Indefinido e Polarizado
A disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez reflete a profunda divisão política e social do Peru. Enquanto Fujimori apela para a nostalgia de um passado de ordem e segurança, Sánchez propõe uma ruptura e a construção de um novo modelo de país. A proximidade nas pesquisas sugere que o resultado será decidido por uma margem pequena, deixando os eleitores peruanos em suspense.
A campanha tem sido marcada por debates acalorados sobre a economia, a segurança pública e o futuro das instituições democráticas. A herança de governos passados, seja ela de estabilidade autoritária ou de promessas de mudança social, continua a moldar o presente e o futuro político do Peru, tornando esta eleição um dos momentos mais cruciais para a nação andina em muitos anos.