Segundo turno das eleições presidenciais em Portugal adiado em alguns municípios devido a tempestades severas

As fortes tempestades que atingem Portugal nas últimas semanas forçaram o adiamento do segundo turno das eleições presidenciais em alguns municípios. A votação, que aconteceria neste domingo (8), foi postergada em cidades mais afetadas no sul e centro do país, impactando cerca de 37 mil eleitores, o que representa 0,3% do total de votantes.

A decisão de manter a data original em algumas regiões gerou críticas. O candidato André Ventura, do partido de extrema direita Chega, expressou descontentamento ao chegar para votar. Ele argumentou que a manutenção das eleições, mesmo com tantos portugueses sofrendo com as inundações, foi desrespeitosa e criou uma divisão entre cidadãos.

António José Seguro, candidato do Partido Socialista e apontado como favorito, também comentou sobre os adiamentos. Ele manifestou solidariedade às famílias afetadas pelas intempéries, mas incentivou a participação dos eleitores, ressaltando a importância de cada voto para o futuro do país. A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters. Conforme informações da agência de notícias Reuters, cidades no sul e no centro do país adiaram a votação por uma semana.

Candidatos criticam resposta governamental e clamam por união em meio à crise climática

André Ventura, que defendeu o adiamento das eleições em solidariedade às vítimas das chuvas torrenciais, declarou: “Acho que foi desrespeitoso porque transformou alguns portugueses em cidadãos de primeira classe e outros em cidadãos de segunda classe. Acho que em muitas partes do país, as pessoas se sentem desrespeitadas”.

Por outro lado, António José Seguro pediu que as condições meteorológicas permitissem a ida dos cidadãos às urnas. “Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide verdadeiramente o futuro do nosso país”, afirmou, expressando também sua solidariedade às famílias em dificuldades.

Ambos os candidatos adaptaram suas campanhas para visitar áreas atingidas pelas tempestades e conversar com os moradores. As críticas à resposta do governo atual aos efeitos dos temporais, que continuam a assolar Portugal e a vizinha Espanha, foram um ponto em comum.

Contexto político: Semipresidencialismo e a disputa pelo Palácio de Belém

A eleição deste domingo é um embate entre o Partido Socialista, favorito nas pesquisas, e a extrema direita, que se consolidou como uma força política relevante no Parlamento português. António José Seguro venceu o primeiro turno com cerca de 31% dos votos, enquanto André Ventura obteve 23,49%.

Portugal adota um sistema semipresidencialista, onde o poder executivo é dividido entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro. O presidente, embora afastado do cotidiano governamental, detém poderes significativos em momentos de crise e é o chefe de Estado, responsável máximo pelas Forças Armadas.

Pesquisas de intenção de voto, como a do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica, indicam uma vitória expressiva para Seguro, com 70% das intenções contra 30% de Ventura. No entanto, o candidato da extrema direita possui um alto índice de rejeição, estimado em 60% dos eleitores.

O impacto da crise climática e a incerteza eleitoral

A série de temporais de inverno que atingiu Portugal nas últimas semanas, causando mortes e destruição, adicionou uma camada de incerteza à campanha eleitoral. Uma nova frente fria com tempestades chegou ao país no fim da semana, gerando o temor de uma alta abstenção, já que o voto não é obrigatório em Portugal.

André Ventura chegou a solicitar o adiamento do pleito, mas o governo negou o pedido. A situação climática tem sido um fator determinante, forçando os candidatos a adaptarem suas estratégias e a demonstrarem empatia com as populações mais afetadas pelas intempéries.

Esta é a primeira vez em 40 anos que Portugal realiza um segundo turno para eleições presidenciais, refletindo a fragmentação política observada no pleito deste ano, onde 11 partidos participaram no primeiro turno, um recorde histórico.

O papel do Presidente em Portugal: Chefia de Estado e fiscalização do governo

O sistema semipresidencialista português, consolidado após a Revolução dos Cravos em 1974, visa evitar a concentração de poder. O primeiro-ministro é o chefe de governo, responsável pela gestão diária do país. Já o presidente, como chefe de Estado, tem uma função mais cerimonial, mas com poderes cruciais.

O presidente tem a prerrogativa de vetar leis, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, além de nomear o primeiro-ministro. Marcelo Rebelo de Sousa, o atual presidente de centro-direita, ocupou o cargo por quase uma década, marcando seu mandato pela conciliação e pela condução do país em crises. Impedido de concorrer a um terceiro mandato, ele convocou o pleito atual.

Cerca de 50 países adotam modelos semipresidencialistas, incluindo a França, Polônia e Rússia. Em Portugal, essa estrutura busca um controle mútuo entre os líderes soberanos, garantindo estabilidade e governança eficaz.