O que é o Domo de Ouro e por que Trump quer a Groenlândia?
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar em pauta o ambicioso projeto do Domo de Ouro, um sistema de defesa antimísseis avaliado em US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 1 trilhão). O plano, anunciado originalmente em maio do ano passado, visa criar um escudo capaz de detectar e neutralizar mísseis inimigos em todas as fases de um ataque. Agora, a Groenlândia surge como um ponto crucial para a concretização dessa visão estratégica.
Em meio a discussões sobre a potencial anexação da Groenlândia aos Estados Unidos, Trump declarou a ilha autônoma dinamarquesa como “vital” para a construção do sistema. O projeto, que o presidente deseja concluir até o final de seu mandato em 2029, foi impulsionado por um decreto assinado logo no início de sua gestão em 2025, justificando a necessidade de combater ameaças balísticas, hipersônicas e de cruzeiro sob o lema “paz pela força”.
O Domo de Ouro se inspira no sistema Domo de Ferro de Israel e é um projeto complexo que o Pentágono está desenvolvendo. A ideia é criar uma rede de vigilância e ataque, utilizando satélites e sistemas terrestres para garantir a segurança do território americano. A inclusão da Groenlândia, conforme informações divulgadas pelo governo Trump, é fundamental para expandir a capacidade de detecção e interceptação de mísseis, especialmente aqueles provenientes da Rússia.
A Estratégia por Trás da Groenlândia
A Groenlândia, localizada estrategicamente entre os Estados Unidos e a Rússia, sempre foi considerada uma área de grande importância para a segurança do Ártico. Embora os EUA já possuíssem uma base militar na ilha, a presença foi significativamente reduzida desde a Guerra Fria. No entanto, a ilha representa a rota mais curta para mísseis balísticos russos atingirem o território continental americano, tornando-a um local ideal para a instalação de interceptadores.
Além de sua proximidade com a Rússia, a posição geográfica da Groenlândia é vantajosa por estar situada na chamada lacuna GIUK, um corredor naval essencial que conecta o Oceano Ártico ao Atlântico. Com o derretimento do gelo ártico, novas rotas marítimas estão se abrindo, aumentando a relevância estratégica da região para o monitoramento de embarcações, incluindo as chinesas e russas, que Washington deseja vigiar de perto.
Detalhes do Domo de Ouro: Um Escudo de Quatro Camadas
O projeto do Domo de Ouro prevê um sistema de defesa com quatro camadas distintas. Uma baseada em satélites para alerta e rastreamento inicial, e três camadas terrestres. Essas camadas terrestres incluirão interceptadores de mísseis, radares avançados e, potencialmente, lasers. O objetivo principal é neutralizar ameaças ainda na “fase de impulso”, o momento em que o míssil está subindo pela atmosfera, um estágio mais previsível e vulnerável.
Os Estados Unidos já operam bases de lançamento para sistemas de defesa antimísseis, mas o plano contempla a adição de uma terceira base no Centro-Oeste do país. Essa nova instalação abrigaria interceptadores de última geração, como os chamados NGI, que atuariam em conjunto com sistemas como o THAAD (Defesa Terminal de Área de Alta Altitude). As camadas inferiores de defesa, por sua vez, utilizariam radares aprimorados e sistemas já existentes, como o Patriot, para garantir a proteção contra todos os tipos de ameaças.
Recursos Naturais e Interesses Geopolíticos
A importância da Groenlândia para os Estados Unidos transcende a defesa. A ilha possui vastas reservas inexploradas de petróleo, gás e minerais críticos, incluindo elementos de terras raras. Esses recursos são essenciais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de armazenamento de energia e tecnologias de defesa, todos de grande interesse para a economia e segurança americana. A anexação ou o fortalecimento da influência dos EUA na ilha permitiria o acesso e controle desses recursos estratégicos.
O Pentágono tem buscado informações de empreiteiros do setor de defesa para auxiliar nos próximos passos do projeto, indicando que o Domo de Ouro ainda está em seus estágios iniciais de desenvolvimento. A colaboração com a Dinamarca e a potencial cooperação da Groenlândia são passos cruciais para a viabilidade do projeto. A busca por “defesas aéreas cada vez mais próximas da Rússia” é um dos principais motores por trás dessa iniciativa, como destacou Clayton Allen, chefe de operações da Eurasia Group, à CNBC.