Dólar volta a subir e fecha acima de R$ 5,20 em meio a tensões globais e realização de lucros na bolsa.
O cenário econômico global e os movimentos internos do mercado financeiro brasileiro ditaram o ritmo na última sexta-feira (13), impulsionando o dólar comercial para R$ 5,229, com alta de 0,57%. A moeda americana ultrapassou novamente a marca de R$ 5,20, refletindo um dia de volatilidade e ajustes.
A bolsa de valores, por sua vez, acompanhou a tendência de cautela, com o Ibovespa recuando pelo segundo dia consecutivo. Investidores optaram por realizar lucros, vendendo ações após recentes altas, em um movimento de ajuste de carteira.
Esses movimentos, tanto no câmbio quanto na renda variável, são influenciados por uma série de fatores externos e internos. Acompanhe os detalhes que moldaram o desempenho dos mercados e o que os investidores devem observar nos próximos dias, conforme informações divulgadas pela Reuters.
Fatores Internacionais Pressionam o Dólar e a Bolsa
A divulgação de dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos, que ficou em 0,2% em fevereiro, não foi suficiente para animar os investidores. Embora a inflação tenha se mostrado controlada, a recente divulgação de que a criação de empregos nos EUA superou as expectativas na quarta-feira (12) acende um alerta.
Esse cenário de fortalecimento do mercado de trabalho americano reduz as chances de o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, promover cortes na taxa de juros nos próximos meses. Juros mais altos nos EUA tendem a atrair capital para a economia americana, o que geralmente pressiona moedas de países emergentes, como o real.
Adicionalmente, as preocupações com uma possível bolha no setor de inteligência artificial continuam a pairar sobre o mercado financeiro global. O índice Nasdaq, que reúne empresas de tecnologia, registrou queda de 0,22% nesta sexta-feira, evidenciando a cautela com esse setor promissor, mas também volátil.
Realização de Lucros Domina o Mercado Interno
Paralelamente às incertezas internacionais, o mercado interno foi marcado pela realização de lucros. Após um período de quedas na cotação do dólar, muitos investidores aproveitaram para comprar a moeda americana a preços mais baixos.
Da mesma forma, a sequência de recordes alcançada pela bolsa de valores brasileira incentivou outros investidores a venderem suas ações e garantirem os ganhos obtidos. Esse movimento de ajuste de posição é comum em mercados que experimentam altas significativas e buscam consolidar resultados.
Ibovespa Resiste à Queda e Recupera Parte das Perdas
O índice Ibovespa, principal termômetro da bolsa brasileira, fechou o dia com uma queda de 0,69%, aos 186.464 pontos. No pico da volatilidade, o indicador chegou a cair 1,99% no início da tarde.
No entanto, o mercado acionário conseguiu se recuperar parcialmente no decorrer da tarde. A alta na cotação do petróleo, que impacta positivamente as ações de empresas do setor de óleo e gás, e uma melhora no desempenho das bolsas americanas contribuíram para essa recuperação.
Dólar Acumula Pequena Alta Semanal Apesar da Volatilidade
Apesar da alta registrada nesta sexta-feira, o desempenho semanal do dólar foi mais moderado. A divisa americana acumulou uma alta de apenas 0,18% na semana. Olhando para o ano de 2026, o dólar exibe uma queda acumulada de 4,72%, mostrando que a volatilidade recente não alterou significativamente a tendência de desvalorização da moeda americana no longo prazo.