Dólar e petróleo disparam após ataque militar ao Irã, gerando apreensão em mercados globais
O cenário econômico global foi abalado nesta segunda-feira com a forte alta do dólar e do preço do petróleo, reflexo direto de um ataque militar contra o Irã. A ofensiva, que resultou na morte de centenas de pessoas, incluindo altas autoridades iranianas, elevou drasticamente a tensão no Oriente Médio.
A disparada dos preços da commodity é uma resposta direta ao temor de interrupções no fornecimento, especialmente devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz. Essa rota marítima é vital para o transporte de cerca de 20% do petróleo e gás mundial, e qualquer instabilidade na região impacta diretamente a oferta global.
Analistas apontam que a preocupação não reside apenas na produção, mas principalmente na logística. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) já sinalizou que possui capacidade ociosa para suprir qualquer lacuna deixada pelo Irã, mas a viabilidade do transporte por rotas alternativas é um ponto de grande atenção. Conforme informações divulgadas por analistas, o preço do barril de Brent chegou a subir cerca de 7,6% no mercado internacional, sendo negociado perto de US$ 79, enquanto o WTI avançou cerca de 6%, cotado a pouco mais de US$ 71. No Brasil, as ações da Petrobras também sentiram o impacto, com alta de 3,90%.
Estreito de Ormuz: O ponto nevrálgico da crise
A localização geográfica do Estreito de Ormuz o torna um gargalo logístico fundamental para o comércio global de energia. Segundo o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, o fechamento dessa passagem marítima, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, causa uma queda abrupta na oferta de petróleo, impulsionando os preços quase que instantaneamente. Relatos iniciais indicaram centenas de embarcações ancoradas, impedidas de cruzar o estreito logo após os ataques.
Sartori destacou que a volatilidade observada, com o Brent chegando a superar os US$ 80 com alta de 13%, é sintomática da sensibilidade do mercado a conflitos. Ele prevê que, enquanto o conflito persistir e o estreito permanecer bloqueado, os preços do petróleo continuarão elevados, podendo até subir conforme os estoques disponíveis se reduzam.
Impactos no Brasil: Inflação e juros em xeque
A alta do petróleo pode desencadear um repique na inflação no Brasil, caso a guerra se prolongue e os custos sejam repassados ao consumidor final. Essa perspectiva levanta preocupações sobre a política monetária do país.
Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Banco Daycoval, não descarta que o conflito influencie a magnitude do corte da taxa Selic. A expectativa inicial do Comitê de Política Monetária (Copom) era de um corte de 0,50 ponto percentual em março, mas essa decisão pode ser revista, possivelmente resultando em um corte mais tímido, de 0,25 ponto percentual. A Selic, atualmente em 15% ao ano, é um indicador importante para a atividade econômica e geração de empregos no país.
Dólar em alta: Fuga de risco e incertezas globais
O dólar também interrompeu sua trajetória de queda, registrando alta perto de 1% e negociado a aproximadamente R$ 5,20. Esse movimento é explicado pela chamada fuga do risco, onde investidores buscam segurança em economias mais consolidadas, vendendo ativos de países emergentes e comprando moedas fortes como o dólar e o iene.
Rodolpho Sartori considera o cenário do dólar complexo, apontando uma possível mudança de paradigma onde incertezas globais já não garantem uma valorização tão abrupta da moeda americana. Apesar de prever um repique inicial, ele estima que o dólar americano deva oscilar entre R$ 5,20 e R$ 5,25, com as incertezas geopolíticas envolvendo a administração Trump pesando contra a própria moeda dos Estados Unidos.