Dólar sobe a R$ 5,06 e bolsa cai com tensão global e ruído político

O dólar comercial voltou a subir nesta sexta-feira (15), fechando acima da marca de R$ 5 pela primeira vez em um mês. Paralelamente, a bolsa brasileira, representada pelo Ibovespa, encerrou o pregão em queda, refletindo um cenário de turbulências tanto no mercado internacional quanto no doméstico.

A aversão global ao risco, que impulsionou a busca por ativos considerados mais seguros, foi alimentada por diversos fatores. A guerra no Oriente Médio e a pressão inflacionária internacional, que aumentam as expectativas de alta de juros no Japão, somaram-se ao agravamento das tensões políticas no Brasil.

Todos esses elementos contribuíram para o dia de volatilidade nos mercados financeiros. Conforme informação divulgada pela Reuters, a moeda estadunidense encerrou o dia cotada a R$ 5,067, apresentando uma alta de R$ 0,081, o que representa um avanço de 1,63%. O dólar chegou a atingir R$ 5,08 durante a tarde, antes de uma leve desaceleração no fim do pregão.

Pressão Externa e Juros Globais em Alta

A valorização do dólar reflete uma combinação de fatores externos e internos. No cenário internacional, investidores aumentaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, poderá elevar as taxas de juros no país. Essa possibilidade surge diante da persistência da inflação global, impulsionada principalmente pela alta do petróleo e pelas crescentes tensões geopolíticas envolvendo o Irã e os Estados Unidos.

O movimento de aversão ao risco ganhou força após os juros dos títulos públicos do Japão dispararem durante a madrugada. Os papéis japoneses de dez anos atingiram o maior nível desde 1999, chegando a 2,37%, enquanto os títulos de 30 anos ultrapassaram os 4%. Esse avanço ocorreu após a inflação ao produtor no Japão acelerar para 4,9% em abril, segundo dados divulgados.

A perspectiva de uma alta nos juros pelo Banco do Japão levou investidores a desmontarem operações de ‘carry trade’. Nesse tipo de investimento, recursos captados em países de juros baixos, como o Japão, são direcionados a mercados com taxas mais elevadas, como o Brasil. Com a reversão desse fluxo, houve um fortalecimento do dólar e uma retirada de capital de economias emergentes.

Ruído Político Doméstico Agrava Cenário

No Brasil, o mercado também acompanhou de perto os desdobramentos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. A percepção de aumento das incertezas políticas ampliou a busca por proteção na moeda americana, adicionando pressão sobre o real.

O site Intercept Brasil divulgou novas reportagens detalhando as relações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master, o que também intensificou as preocupações fiscais e políticas no cenário doméstico. Esse ‘ruído político’ contribuiu para a cautela dos investidores em relação aos ativos brasileiros.

Bolsa Brasileira Sente o Peso do Exterior e do Brasil

O desempenho negativo do Ibovespa acompanhou a tendência de queda das bolsas internacionais. Em Nova York, o índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas, caiu 1,23%, refletindo a percepção de que juros mais altos podem permanecer por mais tempo nos Estados Unidos. Essa perspectiva impacta diretamente a atratividade de investimentos em mercados emergentes.

Além do cenário externo desfavorável, os impactos políticos das revelações envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro aumentaram a cautela em relação aos ativos brasileiros. A bolsa chegou a cair mais de 1% durante a manhã, mas reduziu parte das perdas ao longo do dia, impulsionada em parte pelas ações da Petrobras.

Petróleo Dispara com Tensões no Oriente Médio

Os preços do petróleo registraram alta superior a 3%, impulsionados pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pela falta de avanços nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica vital para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial. Essa escalada nos preços do barril de petróleo adiciona pressão inflacionária global.

O barril do Brent, referência para as negociações internacionais, fechou em alta de 3,35%, a US$ 109,26. O barril WTI, do Texas, avançou 4,2%, encerrando o dia a US$ 105,42. O mercado reagiu às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando que sua paciência com o Irã estaria se esgotando, em meio a declarações do chanceler iraniano, Abbas Araqchi, de desconfiança em relação a Washington.

O prolongamento da crise no Golfo Pérsico mantém elevada a preocupação com a inflação global, o que pressiona as taxas de juros e aumenta a volatilidade nos mercados financeiros, impactando diretamente economias como a brasileira.