Logística e Crédito: Os Obstáculos Que Afetam as Cadeias Produtivas da Amazônia
A jornada de quase 30 toneladas de pirarucu de Fonte Boa, no Amazonas, até São Paulo ilustra as complexas dificuldades enfrentadas por negócios na região. O transporte multimodal, que envolve voadeira, barco e caminhão, além de armazenamento com gelo e transbordos complicados, evidencia a centralidade da logística ineficiente como um gargalo para o desenvolvimento.
Produzir é apenas o primeiro passo. Para que produtos amazônicos alcancem mercados maiores, é crucial garantir financiamento adequado, infraestrutura de armazenamento e um sistema de transporte confiável. Sem esses elementos, a escala e a competitividade dos negócios ficam severamente limitadas, impedindo o pleno aproveitamento do potencial da região.
Esses desafios ganham destaque no Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, reforçando a necessidade de conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental. Empresas como Navegam e ForestFi, apoiadas pela aceleradora AMAZ, buscam soluções inovadoras para superar essas barreiras, conforme informações divulgadas.
Navegam: Desafios da Infraestrutura Logística na Amazônia
Michelle Guimarães, CEO da Navegam, ressalta que a falta de infraestrutura, tanto na capital quanto no interior, é um dos principais entraves. “Enquanto a gente não tem melhoria na infraestrutura logística, na capital, nos interiores, nas estradas, a gente não consegue ter uma escala desses produtos, porque tudo passa pela logística”, afirma. A empresa trabalha para otimizar o transporte fluvial e multimodal, conectando as diversas etapas da cadeia produtiva.
ForestFi: Acesso a Crédito é Crucial para a Bioeconomia
Enquanto a Navegam foca na logística, a ForestFi aborda outro ponto crítico: o acesso a crédito e financiamento para negócios da sociobiodiversidade. Macaulay Abreu, CEO da ForestFi, explica que muitas organizações têm dificuldade em obter investimentos e capital de giro. “Nem sempre as organizações estão aptas a receber investimentos externos. Acho que essa é uma das grandes lições que nós aprendemos ao longo desse processo”, comenta.
Uma estratégia da ForestFi é antecipar recursos para que os produtores consigam formar estoques de produtos da bioeconomia antes dos períodos de maior demanda. Isso permite que os produtores tenham mais tempo para negociar suas produções, fortalecendo a cadeia de valor. A empresa, apoiada pela AMAZ, busca aproximar investidores de negócios sustentáveis na Amazônia.
A Importância da Logística para o Desenvolvimento Regional
O caso do transporte de pirarucu exemplifica a complexidade logística enfrentada. A Navegam, que iniciou com logística fluvial e rastreabilidade, expandiu suas operações para o modal multimodal. Para Michelle Guimarães, a melhoria da infraestrutura é indispensável para expandir a presença de produtos amazônicos em outros mercados. “Não existe desenvolvimento socioeconômico na Amazônia se não existir a melhoria da infraestrutura logística”, enfatiza.
Conciliando Conservação e Desenvolvimento Econômico
As experiências da Navegam e da ForestFi ilustram um debate central sobre o futuro da Amazônia: como gerar renda e atividade econômica a partir dos recursos da região sem comprometer a conservação da floresta. A solução passa por resolver problemas práticos que ainda dificultam o caminho entre a produção amazônica e o mercado, promovendo um desenvolvimento mais justo e sustentável.