Desembargador aposentado, Rafael de Araújo Romano, é preso em Manaus após condenação por estupro de vulnerável contra a própria neta
Um caso chocante que abala a sociedade em Manaus ganhou um novo capítulo. O desembargador aposentado, Rafael de Araújo Romano, foi preso nesta sexta-feira (20) após se entregar à polícia. Ele foi condenado a 47 anos de prisão em regime fechado, em 2020, por estuprar a própria neta, que tinha apenas 7 anos quando os abusos começaram.
A Justiça do Amazonas expediu o mandado de prisão na última quarta-feira (18), após o trânsito em julgado da sentença, o que significa que não há mais possibilidade de recurso. A prisão marca o início do cumprimento da pena, conforme determinado pela Justiça.
As investigações apontam que os abusos sexuais contra a neta tiveram início em 2009, quando a menina contava com apenas 7 anos de idade. Os detalhes sombrios foram revelados pela própria vítima em depoimento à Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). Conforme apurado pelo g1, Rafael de Araújo Romano se entregou na Delegacia Geral.
Relatos da vítima e a denúncia da mãe
Segundo a vítima, os abusos se estenderam até 2016, quando ela já tinha 14 anos. Em seu relato à polícia, a jovem mencionou que uma tia teria presenciado uma das situações, mas negou ter visto os abusos por sentir vergonha. O caso veio à tona em 2018, quando a mãe da vítima decidiu denunciar o crime ao Ministério Público.
Em entrevista à Rede Amazônica na época, a mãe relatou o momento em que a filha decidiu contar a verdade. “Ela disse que tinha uma notícia muito grave para me contar. Ela disse ‘meu avô está me molestando desde que eu era pequena’. Tomei um susto, precisei respirar, fiquei completamente sem chão”, desabafou a mãe, visivelmente abalada.
Ação da Justiça e futuras medidas
A Justiça determinou que Rafael de Araújo Romano cumpra a pena em regime fechado. Além da prisão, a Justiça informou que caberá aos órgãos competentes a adoção das medidas necessárias em relação à perda do cargo público e à possível cassação da aposentadoria. Foi determinada apenas a comunicação formal à Procuradoria-Geral do Estado.
O g1 informou que tenta localizar a defesa de Rafael de Araújo Romano para obter um posicionamento sobre o caso. A mãe da vítima, em sua época, publicou um texto nas redes sociais classificando o ex-sogro como “monstro horroroso” e “pedófilo”, expondo a gravidade da situação que envolvia um familiar de confiança.
A mãe também expressou a dor de ter confiado em quem, segundo ela, abusava de sua filha dentro de sua própria casa. “Não tem coisa pior que um pedófilo abusando da sua filha. E pior que isso, um pedófilo que é avô dela, que vivia na minha casa, eu cozinhava pra ele, eu deixava o meu quarto pra ele dormir na minha casa, enquanto eu estava preparando o almoço ele abusava da minha filha no quarto”, relatou.