Manaus, O deputado estadual Roberto Maia Cidade Filho (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), foi formalmente indiciado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) por crimes de violência doméstica contra a ex-esposa, com quem tem três filhos. A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher – Plantão dos Vulneráveis, reuniu provas consistentes que apontam para reiterados episódios de violência psicológica, ameaças e injúrias verbais, praticados em um contexto descrito como abusivo e opressor.
Conforme o inquérito, a vítima, cuja identidade é preservada, relatou ter sido alvo de ofensas cruéis em momentos de extrema vulnerabilidade, inclusive no pós-parto de um dos filhos do casal. Em depoimento, afirmou ter sido chamada de “puta”, “fudida”, “escrota” e “gorda”, agressões verbais que, segundo a polícia, configuram um padrão de abuso psicológico incompatível com a conduta de qualquer cidadão, sobretudo de um representante do povo.
A ex-esposa apresentou laudo psiquiátrico, áudios, conversas registradas em ata notarial e prontuários médicos, que demonstram o impacto das agressões em sua saúde mental. Em um dos episódios, chegou a ser atendida em caráter emergencial após suspeita de um AVC, hipótese descartada com diagnóstico de crise de ansiedade grave.

Roberto Cidade foi interrogado em 17 de outubro de 2024 e negou todas as acusações, classificando-as como “inverídicas”. Ele admitiu apenas discussões conjugais entre 2018 e 2019, mas afirmou nunca ter agredido ou cerceado a liberdade da ex-companheira, que atualmente ocupa cargo no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas.
Apesar da negativa, a autoridade policial concluiu haver indícios suficientes para o indiciamento do parlamentar pelos crimes de violência psicológica (art. 147-B do Código Penal), ameaça (art. 147) e injúria (art. 140), todos no contexto da Lei Maria da Penha.

O caso segue agora para o Juízo da Vara Criminal da Comarca de Manaus, que deverá aguardar manifestação do Ministério Público para decidir se apresentará denúncia formal contra o deputado.