Deputada Carol Dartora pede investigação da Polícia Federal após ameaças de morte com teor racista e misógino

A deputada federal Carol Dartora (PT-PR), a primeira mulher negra eleita pelo Paraná para a Câmara dos Deputados, solicitou formalmente nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, a abertura de um inquérito pela Polícia Federal. A parlamentar foi alvo de ameaças de morte enviadas por e-mail ao seu gabinete institucional, o que a levou a buscar a proteção e a atuação das autoridades competentes.

As mensagens alarmantes foram recebidas na madrugada de domingo, 15 de março de 2026, e apresentavam um conteúdo de extrema violência. A deputada, que também encaminhou o caso ao Ministério da Justiça e informou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente da Câmara, Arthur Lira, destacou a natureza específica do ataque.

“O conteúdo da mensagem é de violência extrema. Logo no assunto do e-mail, a expressão ‘você vai pagar, sua negra vagabunda’ evidencia que sou alvo específico por ser mulher negra em posição de poder político institucional”, relatou Dartora em ofício enviado ao presidente da Câmara. A deputada também solicitou reforço em sua segurança pessoal junto à Polícia Legislativa.

Investigação em Curso e Relatos Anteriores

Diante da gravidade da situação, o presidente da Câmara determinou a apuração dos fatos pelo Departamento de Polícia Legislativa (Depol), que já iniciou os procedimentos investigatórios. A Polícia Federal confirmou o recebimento da denúncia e também deu início aos procedimentos necessários para a investigação. As mensagens foram enviadas por um usuário identificado como Lucas Bovolini Martins, utilizando o serviço de e-mail suíço ProtonMail, conhecido por dificultar o rastreamento de mensagens devido à criptografia.

Carol Dartora também fez um **alerta importante** sobre a recorrência de tais ataques. Ela informou que, em fevereiro de 2025, um usuário com o mesmo nome, Lucas Bovolini Martins, enviou ameaças de morte ao gabinete da deputada estadual Livia Duarte (Psol-PA), que também é negra. Este fato reforça a preocupação com uma possível estratégia de intimidação direcionada a mulheres negras em posições de destaque.

PT Repudia Ataques e Defende Ações Firmes

O Partido dos Trabalhadores (PT) manifestou publicamente seu apoio à deputada Carol Dartora. Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira, o partido classificou os ataques como parte de uma **estratégia deliberada de intimidação** contra mulheres negras que ocupam espaços de poder e defendem os direitos de minorias. Segundo o PT, essas agressões visam silenciar vozes comprometidas com a transformação social e o aprofundamento da democracia brasileira.

O partido enfatizou que a **violência política de gênero e raça** é uma expressão do autoritarismo e do ódio que buscam impedir a participação popular e enfraquecer mandatos legitimamente eleitos. O PT defende a **apuração rigorosa dos fatos**, a responsabilização dos autores e o fortalecimento dos mecanismos institucionais de proteção a parlamentares e lideranças ameaçadas, reafirmando seu compromisso com a luta antirracista, feminista e democrática.

Preocupação com a Violência Contra Mulheres Negras no Poder

Em suas declarações, Carol Dartora expressou profunda preocupação com a onda de violência direcionada a mulheres negras que conquistaram seu espaço na política. “Mulheres negras conquistaram, através de muita luta, o direito de ocupar cadeiras nesta Casa. Não podemos permitir que o terror racial e de gênero nos expulse desses espaços. Não podemos permitir que a violência cibernética e o terrorismo político silenciem vozes fundamentais para a democracia brasileira”, afirmou a deputada.

Ela ressaltou que a luta pela ocupação desses espaços é árdua e que a **intimidação e o terrorismo político** não podem ser tolerados. A deputada reforçou a necessidade de garantir o livre exercício do mandato e a defesa da vida e da dignidade de todos os parlamentares, especialmente daqueles que representam grupos historicamente marginalizados e que enfrentam ataques motivados por ódio racial e misógino.