STF analisará prisão de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, na próxima sexta-feira

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tem em pauta, para a próxima sexta-feira, 13 de março de 2026, o julgamento da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A decisão, inicialmente tomada pelo ministro André Mendonça, autorizou a detenção do empresário no contexto da quinta fase da Operação Compliance Zero.

O colegiado irá deliberar sobre a validade da ordem de prisão, que foi proferida após a Polícia Federal apresentar um parecer detalhado. As investigações apontam que Vorcaro seria o coordenador de um núcleo especializado em monitorar e intimidar adversários do empresário. A PF alega ter em mãos conversas do celular do banqueiro que indicariam, inclusive, um pedido para forjar um “assalto” contra o jornalista Lauro Jardim, com a frase “Quero dar um pau nele”.

Este julgamento representa a primeira vez que o ministro Dias Toffoli, antigo relator do caso, se posicionará sobre as investigações desde que deixou a relatoria em 12 de fevereiro. Sua participação é garantida após o arquivamento de uma arguição de suspeição apresentada pela PF contra ele, considerada inédia pelos ministros da Corte. Na última sexta-feira (6), Daniel Vorcaro foi encaminhado para o presídio federal de Brasília, onde cumpre a medida cautelar. As informações foram divulgadas com base em reportagens e documentos oficiais relacionados à Operação Compliance Zero.

Operação Compliance Zero: Detalhes e Prisões

A Operação Compliance Zero, em sua terceira fase, já resultou na prisão preventiva de outras figuras importantes. Entre os detidos estão Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa, Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar o núcleo de intimidação, e Marilson Roseno da Silva, um policial federal aposentado suspeito de participar do grupo de monitoramento de adversários. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, também apontado como integrante do grupo “A Turma”, foi confirmado como falecido pela defesa; ele atentou contra a própria vida em 4 de março, data de sua prisão.

Além das prisões, a operação incluiu a autorização para busca e apreensão em 15 endereços ligados aos investigados, localizados em São Paulo e Minas Gerais. O ministro Mendonça também determinou o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens, com valor estimado em até R$ 22 bilhões, evidenciando a magnitude do esquema investigado.

Envolvimento de Funcionários do Banco Central

A decisão do ministro Mendonça também aponta para o envolvimento de funcionários do Banco Central (BC) que, segundo a Polícia Federal, teriam sido cooptados por um núcleo organizado por Vorcaro. Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto de Supervisão Bancária do BC, é citado por manter contato próximo com Vorcaro, trocando mensagens e recebendo orientações sobre ofícios e reuniões com o presidente da autoridade monetária. Mendonça destacou que Souza agia “como uma espécie de empregado/consultor de VORCARO para assuntos de interesse exclusivamente privado deste último”.

Outro funcionário mencionado é Belline Santana, que à época dos fatos ocupava a chefia do departamento de Supervisão Bancária do BC. Ele mantinha “o mesmo tipo de relação” com Vorcaro que Souza, atuando de forma “informal” e “em favor” dos interesses do Banco Master. Santana teria recebido uma proposta de “contratação simulada” de Fabiano Zettel para formalizar um “vínculo contratual fictício”. Ambos foram afastados de suas funções, proibidos de contatar testemunhas ou investigados e deverão usar tornozeleira eletrônica, permanecendo em seus municípios de residência e entregando seus passaportes.

Empresas de Fachada e Lavagem de Dinheiro

A investigação também identificou auxiliares envolvidos na formalização de contratos fraudulentos, como Leonardo Augusto Furtado Palhares. De acordo com a PF, empresas de fachada eram utilizadas para realizar pagamentos de propina, conforme descrito por Mendonça. Ana Claudia Queiroz de Paiva, funcionária de Vorcaro, é apontada como responsável pelas movimentações financeiras do grupo, participando da estrutura de pagamentos vinculados às iniciativas do empresário.

Atendendo a um pedido da Polícia Federal sobre indícios de lavagem de dinheiro, Mendonça determinou a suspensão por tempo indeterminado de diversas empresas, incluindo Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal LTDA, Moriah Asset Empreendimentos e Participações LTDA, Super Empreendimentos e Participações S.A., King Participações Imobiliárias LTDA e King Motors Locação de Veículos de Participações LTDA. Essas medidas visam desarticular a estrutura financeira do esquema investigado.

Origem das Investigações

As investigações que levaram à Operação Compliance Zero tiveram início em 2024, a partir de um pedido do Ministério Público Federal (MPF). O MPF solicitou a apuração de indícios sobre a fabricação e venda de títulos de crédito falsos por instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e a circulação de “ativos podres” com o objetivo de ocultar rombos financeiros. O Banco Master e seus gestores, executivos e empresários ligados a fundos de investimento e operações com títulos de crédito estão no centro dessas apurações.