Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, é transferido para carceragem da PF em Brasília; Delação Premiada em Pauta
Daniel Vorcaro, o fundador do Banco Master, foi transferido nesta sexta-feira (19) da Penitenciária Federal de Brasília para uma unidade na Superintendência da Polícia Federal (PF) na capital federal. A mudança atende a uma ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que acolheu um pedido da defesa do empresário.
Vorcaro estava preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília desde 6 de março, como investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes no sistema bancário. A decisão de manter o empresário detido foi confirmada pela 2ª Turma do STF em 13 de março.
A transferência ocorre poucos dias após a entrada de um novo advogado na equipe de defesa de Vorcaro, o que reforça as especulações sobre a possibilidade de uma delação premiada. Conforme informação divulgada pela fonte, o novo advogado é conhecido por conduzir outros casos de colaboração premiada, como o de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS na Lava Jato. Vorcaro também é defendido por Roberto Podval e Sérgio Leonardo.
Novo Advogado e Expectativa de Delação Premiada
A chegada do advogado José Luis Oliveira Lima à defesa de Daniel Vorcaro intensifica os rumores sobre um possível acordo de delação premiada. O novo defensor possui um histórico notório em conduzir acordos de colaboração, incluindo o caso de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, durante a Operação Lava Jato. A expectativa é que, caso o acordo seja firmado, Vorcaro possa obter benefícios em uma eventual condenação, desde que forneça informações cruciais para as investigações.
A Operação Compliance Zero e a Relatoria de Mendonça
O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do inquérito em 12 de fevereiro, após o ministro Dias Toffoli decidir se afastar do caso. Foi Mendonça quem autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro. Em sua decisão, o ministro apontou que Vorcaro teve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais do Banco Master.
Segundo a decisão, o empresário participou de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e sua alocação em estruturas de investimento ligadas ao próprio conglomerado econômico. A PF indica que o esquema envolvia a captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração acima da média, direcionando os valores para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez.
Estrutura da Fraude Investigada pela PF
A Polícia Federal identificou quatro núcleos principais de atuação no esquema investigado. O primeiro é o núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro. O segundo é o núcleo de corrupção institucional, focado na cooptação de funcionários do Banco Central. O terceiro núcleo trata da ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, utilizando empresas interpostas.
O quarto núcleo, de intimidação e obstrução da Justiça, era responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades. Além de Vorcaro, foram presos Fabiano Zettel, investigado por orientar o núcleo de intimidação, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado suspeito de participar do grupo de monitoramento. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, morreu em 6 de março após tentar se matar sob custódia da PF.
O Celular de Vorcaro e Contatos com Autoridades
A quebra do sigilo dos dados telemáticos do celular de Daniel Vorcaro revelou que ele mantinha números de telefone de autoridades dos Três Poderes. Entre os contatos estavam três ministros do STF, parentes de ministros, como a advogada Viviane Barci de Moraes, seis congressistas e dois diretores do Banco Central. As mensagens encontradas em um dos celulares apreendidos de Vorcaro estão sendo analisadas pela investigação.