A saga do Banco Master: O que Daniel Vorcaro sabia e quando?

A trajetória de Daniel Vorcaro, figura central na crise do Banco Master, é marcada por uma série de eventos que levantam questionamentos sobre sua atuação e conhecimento dos fatos. Fontes indicam que a avaliação de sua conduta se baseia não em boatos, mas na sequência temporal de acontecimentos cruciais.

O caso ganha contornos ainda mais complexos ao analisar a proposta de emenda constitucional apresentada em agosto de 2024, que visava alterar a autonomia do Banco Central e ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa medida, que poderia ter sido uma “bomba atômica no mercado financeiro”, segundo o próprio Vorcaro, não avançou.

A cronologia aponta para uma reunião fora da agenda pública em dezembro de 2024, onde Vorcaro foi recebido pelo presidente Lula, acompanhado por figuras importantes como Guido Mantega, Gabriel Galípolo (então diretor do Banco Central), Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). Na ocasião, Lula teria direcionado as demandas de Vorcaro para discussão técnica junto ao Banco Central, enquanto diretores do órgão, como Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, estariam sob influência de Vorcaro.

O Resgate Fracassado do Banco Master

A situação se agravou em março de 2025, quando o BRB anunciou a aquisição de 58% das ações do Master. Poucos dias depois, em abril, Gabriel Galípolo buscou negociar a solução para os ativos de maior risco do Master que não seriam absorvidos pelo BRB, com a expectativa de envolver o FGC nesse processo.

No entanto, a tentativa de salvação esbarrou em dificuldades. Em abril de 2025, cinco meses após a reunião com Lula, o Banco Central solicitou um empréstimo de R$ 11 bilhões ao FGC para auxiliar o Banco Master. Deste montante, R$ 5,7 bilhões foram liberados, mas, segundo as fontes, a medida não surtiu o efeito desejado.

Possibilidade de Delação e Multa Bilionária

Diante do desfecho, a perspectiva é que Daniel Vorcaro enfrente sérias consequências legais, podendo ser preso. Há especulações de que, em caso de colaboração com a Justiça, ele possa revelar informações adicionais às já obtidas através de seus celulares. Profissionais do ramo de delações premiadas sugerem que o processo pode iniciar com o pagamento de uma multa bilionária, possivelmente a maior já registrada.

A Figura de Daniel Vorcaro no Cenário Financeiro

Um banqueiro conservador, em declaração anônima, descreveu Daniel Vorcaro como um “fanfarrão” e um “rebento de um tempo de tolerância”, contrastando seu estilo com a postura da “velha banca”. A crítica se refere a comportamentos como patrocínio de eventos na Europa, manutenção de mansões para festas e a presença de uma academia próxima ao gabinete, características vistas como destoantes do ambiente financeiro tradicional.