Corpo com Bilhete Aponta Traição: CV Executa Homem em Manaus e Deixa Recado Sombrio
Um crime de extrema violência abalou o bairro Colônia Oliveira Machado, na zona sul de Manaus, nesta quarta-feira (14/1). O corpo de um homem, identificado preliminarmente como Antunes, ou com o apelido de “Dere”, foi descoberto em uma área de mata fechada de difícil acesso, um local conhecido por ser palco de acertos de contas ligados ao crime organizado.
A vítima apresentava sinais evidentes de execução e tortura. O que mais chocou as autoridades e moradores foi um bilhete deixado sobre o corpo, escrito em um pedaço de papelão. A mensagem, típica de execuções por facções criminosas, detalha o motivo do brutal assassinato, apontando para uma suposta traição.
A Polícia Civil do Amazonas já iniciou as investigações, com a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) atuando na perícia do local. A área, de mata densa e pouca iluminação, dificulta o trabalho de fiscalização e acesso. As autoridades buscam confirmar a identidade da vítima e identificar os responsáveis pela execução.
Mensagem Confessa Colaboração com a Polícia e Traição
O bilhete encontrado no corpo da vítima detalha a motivação do crime, utilizando a linguagem peculiar do submundo do crime. A mensagem, escrita à mão, diz textualmente: “EU ANTUNES OU DERE, MORRi Pa JOGAVA JUNTO Com O LÍMA e LORINHO QUE JOGAVA JUNTO COM OS VERMES- Eu FALAVA COM OS VERMES- Eu FALAVA QUE TiNHA FRETE PEGAVA DROGA DOS IrMÃOS E ARROCHAVA OU DAVA e FITA PROS VERMES ARROCHA E ACABEi ASSIM DESSA FORMA POR EU FAZER PILATRAGEM COM OS OUTROS. CARLOS MÃOZINHA, TE ESPERO NO INFERNO”.
Na gíria do crime organizado em Manaus, especialmente no contexto do Comando Vermelho (CV), o termo “vermes” é usado para se referir à polícia. O texto confessa que a vítima, Antunes ou “Dere”, atuava como informante, “falava com os vermes”. Além disso, é acusado de praticar “pilatragem”, que no jargão significa traição ou desvio de drogas, ao supostamente entregar informações e repassar entorpecentes ou dinheiro de forma irregular, prejudicando os “irmãos” da facção.
CV Emite Alerta Geral Contra Colaboradores da Polícia
Complementando a mensagem deixada no corpo, uma outra comunicação atribuída ao CV começou a circular intensamente em grupos de WhatsApp e redes sociais, reforçando a versão de execução por traição. A mensagem alerta que “FICA DE EXEMPLO QUALQUER CONDUTA DE COLABORAÇÃO COM VERMES, PIRATAS OU ARROCHADORES, NÃO SERÁ TOLERADO E DAREMOS RESPOSTA DE IMEDIATO ATÉ QUE NÃO SOBRE UM VERME PRA CONTAR HISTÓRIA.”
Essa nova comunicação serve como um aviso claro para outros membros da facção e para a comunidade em geral, demonstrando a severidade com que o CV lida com casos de suposta colaboração com as autoridades policiais ou com grupos rivais. A mensagem intensifica o clima de medo e intimidação na região.
Área de Difícil Acesso Facilita Crimes e Dificulta Investigação
O local onde o corpo foi encontrado, próximo à Alameda Moreira da Silva e ao Porto do Cimento, é conhecido por sua densa vegetação e pouca iluminação. Essa característica torna a área de difícil acesso, o que, por um lado, facilita a ação de criminosos para desovar corpos e realizar execuções, e por outro, dificulta a fiscalização policial e a circulação de pessoas.
A escolha desse local reforça a prática comum de acertos de contas e desova de corpos em áreas remotas, utilizadas como “depósitos” pelo crime organizado. A Polícia Civil do Amazonas segue investigando para desvendar todos os detalhes deste brutal assassinato e identificar os envolvidos, possivelmente mais um capítulo da guerra interna pelo controle de territórios e rotas de tráfico na capital amazonense.