Agência de Imigração dos EUA Acelera Recrutamento em “Tempos de Guerra”, Levanta Preocupações
Um relato surpreendente de uma jornalista independente reacendeu o debate sobre os métodos de recrutamento do Immigration and Customs Enforcement (ICE), a agência de imigração do governo dos Estados Unidos. Laura Jedeed afirmou ter sido contratada pela agência após um processo seletivo que durou apenas seis minutos, sem a conclusão de etapas básicas.
As declarações de Jedeed ganharam repercussão nas redes sociais, levantando questionamentos sobre a eficácia e a segurança dos procedimentos de contratação do ICE. A agência, responsável por operações de deportação, tem sido alvo de críticas pelo uso de força e sua ligação com incidentes graves.
O caso surge em um momento de expansão acelerada do quadro de agentes do ICE. A agência descreve sua estratégia como um “recrutamento em tempos de guerra”, visando viabilizar a política de deportações em massa. Conforme informações divulgadas, o objetivo é expulsar cerca de um milhão de pessoas por ano.
Redução de Treinamento e Incentivos Financeiros Agressivos
Para atingir suas metas, o governo Trump implementou mudanças significativas no processo de contratação. O tempo de treinamento para novos agentes foi drasticamente reduzido de 16 para oito semanas. Além disso, foram flexibilizados os limites de idade e eliminada a exigência de aprendizado de espanhol, uma língua amplamente falada nos Estados Unidos.
Paralelamente, o ICE passou a oferecer incentivos financeiros consideráveis. Novos agentes podem receber bônus de até US$ 50 mil (aproximadamente R$ 263 mil), e há a possibilidade de perdão de dívidas estudantis que podem chegar a US$ 60 mil (cerca de R$ 315 mil). Essas medidas visam atrair um maior número de candidatos.
Crescimento Exponencial e Críticas sobre Critérios
As campanhas de recrutamento foram intensificadas em diversas cidades e nas redes sociais, com uma estética fortemente militarizada. Segundo dados, mais de 220 mil pessoas se candidataram a vagas no ICE no último ano. Desde o retorno de Trump ao poder em janeiro de 2025, o número de agentes mais que dobrou, saltando de aproximadamente 10 mil para 22 mil, um crescimento considerado inédito.
Diante do aumento de denúncias de violência em operações migratórias, especialistas e parlamentares têm expressado preocupação. Questionamentos sobre os critérios de contratação, a brevidade do treinamento e a forma de atuação dos agentes têm sido frequentes. A falta de punição em casos de abusos cometidos por agentes do ICE também é um ponto de crítica recorrente.
Versão Oficial Contesta Relato de Contratação Rápida
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos contesta a versão de Laura Jedeed, negando que o processo de contratação tenha sido tão superficial. No entanto, o caso expôs as fragilidades e levantou sérias dúvidas sobre o controle interno da agência e a rigorosidade dos processos seletivos em um período de alta demanda por agentes.