Conselho de Segurança da ONU discute a crise Irã x EUA em meio a ameaças de ataque
O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunirá nesta quinta-feira (15) para discutir a crescente tensão entre o Irã e os Estados Unidos. A reunião foi solicitada pelos próprios EUA, conforme informações da agência France-Presse, em um momento de forte escalada diplomática e militar na região do Oriente Médio.
A situação se agravou após o governo norte-americano sugerir a possibilidade de um ataque ao país persa. Essa ameaça surge em paralelo a uma onda de manifestações populares que varrem o Irã, protestos estes que o presidente Donald Trump tem sinalizado que os EUA poderiam intervir. O governo iraniano, por sua vez, já declarou que irá retaliar qualquer ofensiva militar.
As manifestações no Irã, que começaram em 28 de dezembro, reúnem milhares de pessoas em diversas cidades contra o regime do aiatolá Ali Khamenei, impulsionadas pela insatisfação com a situação econômica do país. Acompanharemos os desdobramentos deste crucial encontro na ONU.
EUA sinalizam intervenção e Irã promete retaliação
Nos últimos dias, o presidente Donald Trump tem feito declarações que indicam uma possível interferência dos Estados Unidos nos protestos iranianos. Em 10 de janeiro, Trump afirmou que o Irã estava “buscando a liberdade” e que os EUA “estão prontos para ajudar”. Três dias depois, ele incentivou os manifestantes a continuarem nas ruas, declarando que “ajuda está a caminho”, sem, no entanto, detalhar o significado da afirmação.
A imprensa americana tem especulado sobre a tendência de Trump em atacar o Irã, considerando uma operação militar mais provável do que improvável. Em um tom de ameaça, na terça-feira (13), Trump declarou que poderia adotar “medidas muito duras” caso o Irã começasse a executar manifestantes. Essa fala ocorreu após uma ONG denunciar que um jovem detido nos protestos seria enforcado, o que, após a declaração do presidente, foi adiado.
Oficialmente, o Irã declarou que irá retaliar qualquer ataque dos Estados Unidos, prometendo atingir bases americanas e de Israel na região. A agência Reuters informou, na quarta-feira (14), que os Estados Unidos começaram a retirar parte dos funcionários de bases militares estratégicas no Oriente Médio como medida de precaução.
Mobilização global e temores de conflito iminente
A possibilidade de um conflito militar iminente levou a uma série de ações diplomáticas e de segurança. Dois funcionários europeus ouvidos pela Reuters afirmaram que uma operação militar dos EUA poderia ocorrer dentro de 24 horas. Uma autoridade de Israel comentou que Trump aparentemente optou pela intervenção militar, mas que o tamanho da operação ainda era incerto.
Em um movimento preventivo, o governo dos EUA emitiu um alerta para que todos os cidadãos americanos deixassem o Irã imediatamente. Países como Canadá, França e Polônia adotaram medidas semelhantes. O Reino Unido fechou temporariamente sua embaixada em Teerã e aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens ao Irã e Israel.
Movimentações em bases militares e avisos sobre viagens também foram observados dias antes de um ataque de Israel ao Irã em junho de 2024, um paralelo que aumenta a apreensão. Na madrugada de quarta-feira, uma aeronave não tripulada da Marinha dos EUA foi detectada em radares sobrevoando uma área próxima à costa iraniana.
Irã busca apoio regional e internacional contra possível ataque
Em meio à escalada de tensões, o Irã tem buscado ativamente apoio de países da região para tentar impedir um ataque dos Estados Unidos. Segundo a Reuters, autoridades iranianas contataram aliados para auxiliar em negociações. O jornal The Wall Street Journal reportou que rivais do Irã no Oriente Médio também pressionam a Casa Branca para evitar uma ofensiva, temendo o impacto no preço do petróleo e a instabilidade regional.
Mais cedo, o Irã fechou o espaço aéreo para voos internacionais, com exceção daqueles com origem ou destino a Teerã. Autoridades alemãs emitiram um alerta a companhias aéreas do país para que evitassem o espaço aéreo iraniano, demonstrando a preocupação global com a situação.