Conselho de Segurança da ONU em Votação Decisiva sobre o Estreito de Ormuz

O Conselho de Segurança das Nações Unidas iniciou nesta terça-feira (7) uma sessão crucial para votar uma resolução que pode autorizar o uso da força no Estreito de Ormuz. A medida, proposta pelo Bahrein, visa proteger a navegação comercial em uma das vias marítimas mais importantes do mundo, que tem sido palco de crescentes tensões no contexto da guerra no Oriente Médio.

A proposta estipula que os países membros possam empregar “todos os meios defensivos necessários” para assegurar o tráfego de embarcações comerciais. Caso aprovada, esta seria a primeira vez que a ONU daria aval explícito ao uso da força em resposta ao conflito na região, aumentando a pressão sobre o Irã, que tem sido acusado de bloquear a passagem.

A sessão de votação ocorre em um momento de alta escalada militar, com ultimatos de Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz e intensificação de ataques por parte dos Estados Unidos e Israel. As informações foram divulgadas pela agência AFP, que teve acesso à última versão do projeto de resolução.

O Que Diz a Resolução e Quais são os Obstáculos

A resolução em discussão condena os ataques iranianos contra navios e “encoraja fortemente os Estados” envolvidos a “coordenar esforços, de natureza defensiva e proporcionais às circunstâncias, para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz”. O texto exige que o Irã “cesse imediatamente todo ataque contra os navios” e “toda tentativa” de impedir a livre navegação, indicando que o Conselho poderá “considerar outras medidas” contra os responsáveis.

Entretanto, a medida enfrenta forte oposição de membros permanentes do Conselho de Segurança, que possuem o poder de veto. A China, um dos principais compradores de petróleo do Irã, já manifestou ser contra qualquer autorização para o uso da força. França e Rússia também indicaram sua oposição, levando a adiamentos na votação que estava originalmente prevista para sexta-feira (3) e depois remarcada para sábado (4).

Em uma tentativa de obter apoio, o Bahrein removeu do texto uma referência à aplicação obrigatória da medida. A versão final autoriza o uso da força “por um período de pelo menos seis meses (…) e até que o Conselho decida de outra forma”, buscando flexibilizar a aprovação.

Escalada de Tensão e Ultimatos no Oriente Médio

O dia desta terça-feira (7) é considerado decisivo para a guerra no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renovou seu ultimato ao Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, declarando que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso o prazo não seja cumprido. Os EUA já realizaram ataques à ilha de Kharg, onde cerca de 90% do petróleo iraniano é estocado, segundo o vice-presidente J.D. Vance.

Israel também intensificou seus ataques, anunciando “amplos ataques” ao redor do território iraniano, atingindo infraestruturas como pontes, trens e aeroportos. Explosões foram registradas em Teerã, com relatos de mortes e alertas para que iranianos evitem viajar de trem, após ataques a ferrovias.

Respostas e Ameaças do Irã

Em resposta à pressão e aos ataques, o Irã convocou sua população a formar escudos humanos ao redor de usinas e anunciou o fim da “boa vizinhança” com países do Golfo, prometendo abandonar qualquer contenção em novos ataques. Uma autoridade iraniana, em entrevista à agência Reuters, afirmou que o país não reabrirá o Estreito de Ormuz em troca de “promessas vazias”.

O Irã também ameaçou fechar a via marítima de Bab el-Mandeb, “se a situação sair do controle”, e deixar “todo o Oriente Médio no escuro” caso os EUA ataquem as usinas de energia iranianas. A situação no Estreito de Ormuz permanece tensa, com a comunidade internacional buscando uma solução diplomática para evitar um conflito de maiores proporções.