Conselho da Paz de Trump: Negócio Bilionário com Poucos Membros e Aliado da Hungria
Formalizado em Davos, o chamado “Conselho da Paz” surge como uma iniciativa que espelha a visão de Donald Trump para a governança global: uma abordagem empresarial e com traços de megalomania. A estrutura prevê que o próprio presidente americano atuará como presidente vitalício, com poderes de veto, funcionando como um CEO em uma organização internacional.
Os países interessados em se tornar membros permanentes foram informados sobre uma taxa de adesão substancial de US$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 5,3 bilhões. No entanto, a entidade já demonstra fragilidade em sua concepção, com uma participação inicial aquém do esperado.
De acordo com informações divulgadas, dos 60 convites enviados a líderes globais, apenas cerca de 25 aceitaram integrar o conselho. Este número baixo, especialmente a ausência de grandes potências, levanta questionamentos sobre a real influência e alcance da iniciativa. Apenas um país europeu, a Hungria, representada por seu premiê Viktor Orbán, um conhecido admirador de Trump, aderiu ao conselho. Outras nações europeias declinaram, refletindo a quebra de confiança nas relações com o governo americano.
Visão de Trump e a Realidade no Palco de Davos
Durante a apresentação, Donald Trump se vangloriou da composição do conselho, descrevendo-o como formado por “estrelas e as pessoas mais influentes do mundo”. Ele enfatizou a importância que a entidade teria na resolução de conflitos globais, em linha com sua retórica usual de superlativos.
O foco em questões como Gaza também chamou atenção. Trump se referiu à região como “uma bela propriedade à beira-mar” e prometeu melhorias significativas para seus habitantes. Seu genro, Jared Kushner, apresentou projeções de uma Gaza futurista, com arranha-céus e potencial turístico, um cenário distante da atual realidade precária.
Composição do Conselho e Ausências Notáveis
A realidade apresentada no palco de Davos contrastou com a grandiosidade das declarações de Trump. O grupo presente incluía representantes de países como Mongólia, Uzbequistão, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Arábia Saudita, Catar, Paraguai, Paquistão, Kosovo, Cazaquistão, Jordânia, Indonésia, Hungria, Bulgária, Azerbaijão, Armênia, Argentina, Marrocos e Bahrein.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aceitou participar, mas não compareceu devido a um mandado de busca emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Caso Vladimir Putin aceite o convite, ele se tornaria o segundo líder mundial procurado pelo TPI a integrar o “Conselho da Paz”.
China e Brasil Mantêm Posição de Observação
A China, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, ainda não respondeu ao convite e expressou preocupação com a natureza de “clube privado” da iniciativa de Trump. O Brasil também se manteve em silêncio quanto à sua participação.
A postura de Trump sugere que, em sua visão, um organismo multilateral só teria validade se ele próprio o presidisse, reforçando a ideia de um controle centralizado e pessoal sobre a entidade recém-criada. A falta de adesão de potências globais e a estrutura financeira imposta indicam que o “Conselho da Paz” pode ter dificuldades em alcançar seus objetivos declarados.
O Legado de um Conselho com Pouca Representatividade
A iniciativa, que se propõe a ser um novo fórum para a paz mundial, parece refletir mais os interesses e a visão de mundo de Donald Trump do que um esforço genuíno de cooperação internacional. A taxa de adesão milionária e a ausência de países com peso diplomático significativo levantam sérias dúvidas sobre a sustentabilidade e a relevância futura do “Conselho da Paz”.
A composição restrita e a dependência de um líder com histórico de relações tensas com aliados tradicionais podem comprometer a capacidade da entidade de mediar conflitos e promover a estabilidade global. A comunidade internacional observa com ceticismo os desdobramentos desta nova empreitada diplomática americana.