Manaus – A política amazonense parece não se livrar de seus fantasmas. Entre eles, um dos mais barulhentos atende pelo nome de Omar Aziz, ex-governador e atual senador que, mesmo com um histórico recheado de suspeitas e escândalos, já articula sua volta ao Palácio do Governo.

No rastro das operações da Polícia Federal que expuseram a maior rede de corrupção na saúde do Amazonas, a família Aziz teve papel de destaque. A Operação Maus Caminhos revelou um esquema bilionário de desvio de recursos públicos que deveriam salvar vidas, mas acabaram financiando luxos e negociatas. No centro da engrenagem criminosa estava o empresário Murad Aziz, irmão de Omar, condenado pela Justiça Federal a cinco anos de prisão por embaraço às investigações. Segundo a sentença, Murad ocultou bens e provas, tentando sabotar a Operação Cashback, um dos desdobramentos da Maus Caminhos.

Mas a lista de vexames não para aí. Em 2019, a Polícia Federal deflagrou a Operação Vértex, fase que atingiu o ápice das investigações e resultou na prisão temporária de familiares do senador, incluindo sua esposa, Nejmi Aziz, e seus irmãos Murad, Mansour e Amin. A PF apontou que Omar teria recebido vantagens indevidas do médico Mouhamad Moustafá, líder da quadrilha, por meio de negócios simulados e até de carros de luxo.

Apesar de se defender alegando inocência e anulando processos por questões jurídicas, Omar Aziz não conseguiu apagar a marca de que sua gestão foi uma vitrine de escândalos. Para conhecer um político, basta olhar seu passado, e o passado de Omar fala por si.

Entre os episódios mais emblemáticos está a vergonhosa obra da Cidade Universitária. Orçada em R$ 300 milhões, consumiu cerca de R$ 140 milhões e hoje está reduzida a escombros, um monumento ao desperdício e ao descaso.

Outro capítulo nebuloso envolve o programa Ronda nos Bairros, vitrine da gestão Omar Aziz. Um inquérito do Ministério Público do Amazonas ainda apura os contratos firmados com a empresa Delta Construções S.A., responsável pelo aluguel de veículos ao programa. O que deveria ser uma política de segurança transformou-se em mais uma suspeita de negócios obscuros.

Mesmo com esse passado de contradições e lama política, Omar Aziz age como se nada tivesse acontecido. Agora, posa de salvador e sonha em retomar o comando do Estado. A pergunta que fica é: o Amazonas merece reviver a cena de tantos escândalos com o mesmo protagonista?