Primeiro clérigo xiita brasileiro, Rodrigo Jalloul, ex-petista, aprova atuação de Lula na guerra Irã-EUA

Rodrigo Jalloul, que se tornou o primeiro clérigo xiita brasileiro e chegou a ser candidato a vereador pelo PT em São Paulo, expressou uma avaliação positiva sobre a condução do governo de Luiz Inácio Lula da Silva diante da recente escalada de tensões entre o Irã e os Estados Unidos. Jalloul deixou o PT após as eleições de 2024, alegando decepção com o apoio à sua candidatura, que ele descreve como religiosa.

Em suas declarações, Jalloul aponta que, apesar de criticar os ataques do próprio governo iraniano, Lula acerta ao não legitimar as ações dos Estados Unidos. Ele destaca a habilidade diplomática do presidente brasileiro, mencionando a relação cordial com o ex-presidente americano Donald Trump como um ponto forte.

A análise de Jalloul sobre a situação interna iraniana revela um cenário complexo. Ele menciona que a revolução islâmica trouxe privilégios para religiosos, mas o povo iraniano, descrito como muito politizado, estaria insatisfeito com a desigualdade social. Como exemplo, Jalloul cita que o acesso a bens básicos como carne seria restrito a figuras de elite, como os xeques.

Visão Crítica Sobre o Regime Iraniano e Interesses Estrangeiros

Apesar das críticas internas, Jalloul reconhece que o povo iraniano percebe os Estados Unidos como uma potência opressora, com interesses claros, como o controle sobre as reservas de gás natural do país. Essa dualidade de percepções molda a visão de Jalloul sobre a complexa geopolítica da região.

Experiência Pessoal no Irã e Deportação

Rodrigo Jalloul viveu no Irã a partir de 2007, onde se formou como clérigo. Sua trajetória no país, no entanto, teve um desfecho abrupto em 2013, quando foi deportado da República Islâmica sem receber explicações oficiais. Jalloul relata que foi acusado de atuar como espião para os Estados Unidos, uma acusação que ele nega.

Desilusão com o PT e a Busca por Candidaturas Religiosas

Atualmente, Jalloul atua como assessor do vereador e presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Ricardo Teixeira (União). Sua saída do PT, segundo ele, foi motivada pela decepção com a falta de apoio a candidaturas de cunho religioso. Jalloul sentiu que sua campanha foi tratada de forma isolada, com um simples fornecimento de número e a orientação de que seguisse em frente sem maior suporte.

Diplomacia de Lula Reconhecida Internacionalmente

O clérigo xiita brasileiro reforça a ideia de que a diplomacia de Lula tem sido um trunfo, especialmente em momentos de crise internacional. A capacidade de dialogar com diferentes atores globais, mesmo em cenários de alta tensão, é vista como um ponto positivo na atuação do presidente brasileiro.