China exige que EUA e Israel cessem fogo no Oriente Médio e alerta para “ciclo vicioso” de guerra
A China elevou seu tom diplomático, pedindo nesta segunda-feira (23) o fim imediato das ações militares no Oriente Médio, com um apelo direcionado especialmente aos Estados Unidos e a Israel. O governo chinês expressou profunda preocupação com a possibilidade de um “ciclo vicioso” na guerra, que, segundo analistas, pode desencadear uma crise econômica global e impactar negativamente as exportações chinesas.
Essa postura reflete um alerta sobre as consequências de um conflito prolongado, que pode desestabilizar ainda mais a região e afetar cadeias de suprimentos globais. A China busca ativamente mediar a paz e estabilizar a situação, dialogando com diversos atores regionais.
O enviado especial da China para o Oriente Médio, Zhai Jun, utilizou a metáfora de que “quem amarrou o sino deve ser o responsável por desamarrá-lo”, indicando a necessidade de que as partes diretamente envolvidas assumam a responsabilidade pela resolução do conflito. Essa declaração ocorreu após uma série de visitas diplomáticas a países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, demonstrando o engajamento chinês na busca por soluções pacíficas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, reforçou a posição de Pequim, afirmando que o uso da força apenas agravará o conflito e que a guerra “não deveria ter começado”. Ele alertou que a continuidade e a intensificação das hostilidades correm o risco de mergulhar toda a região no caos, evidenciando a gravidade da situação.
Crise no Estreito de Ormuz e impacto nas exportações chinesas
A situação se agravou com ameaças recentes envolvendo o Estreito de Ormuz. No último sábado (21), o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu um prazo de 48 horas para que o Irã reabrisse a passagem ao tráfego marítimo, sob ameaça de destruição de usinas de energia iranianas. Ataques iranianos já haviam praticamente fechado essa rota vital, responsável por cerca de um quinto do transporte global de petróleo e gás natural liquefeito, desencadeando a pior crise do petróleo desde a década de 1970.
Embora a China não tenha detalhado especificamente suas preocupações econômicas, um conflito prolongado na região pode ter um impacto direto e negativo em suas exportações. As economias emergentes, que são motores importantes para o crescimento das vendas externas chinesas, mostram-se mais vulneráveis ao aumento dos custos de energia e à potencial escassez de petróleo.
Um relatório do Goldman Sachs projeta que a desaceleração desses mercados emergentes deverá afetar adversamente as exportações chinesas nos próximos meses. No entanto, a China possui certas vantagens para mitigar os efeitos da alta nos preços do petróleo, dado que o carvão ainda compõe aproximadamente 60% de sua matriz energética e o país mantém estoques elevados de petróleo.
Projeções econômicas e a posição da China
Apesar das ressalvas, o aumento nos preços de petróleo e gás pode impulsionar a inflação na China e reverter o período de queda nos preços ao produtor. Essa conjuntura levou o Goldman Sachs a revisar para baixo sua projeção de crescimento para a China no segundo trimestre e a elevar a estimativa de inflação para 2026.
Questionado sobre a possibilidade de pressionar o Irã para garantir a passagem segura de navios e cargas chinesas pelo Estreito de Ormuz, Lin Jian reiterou que a China mantém diálogo contínuo com todas as partes envolvidas. Pequim reafirma seu compromisso em trabalhar pela redução das tensões e pela promoção da estabilidade na região, buscando evitar um aprofundamento do conflito e seus efeitos em cascata.
Apelos por desescalada e estabilidade regional
A diplomacia chinesa tem sido ativa na busca por uma solução pacífica para o conflito. A declaração do enviado especial Zhai Jun enfatiza a necessidade de responsabilidade por parte dos principais atores para desatar o nó da crise. Essa abordagem busca não apenas conter a escalada militar, mas também prevenir um agravamento da instabilidade geopolítica.
A China entende que a paz e a segurança no Oriente Médio são cruciais para a economia global e para seus próprios interesses comerciais. Por isso, a insistência em um cessar-fogo e em negociações diplomáticas visa a garantir a estabilidade e a retomada de um fluxo comercial seguro, evitando assim os perigosos “ciclos viciosos” de violência e crise econômica.