China e Rússia Intensificam “Coordenação Estratégica” em Resposta a “Riscos” Globais, Sinalizando Nova Era Geopolítica
A China anunciou sua intenção de aumentar a “coordenação estratégica” com a Rússia, visando aprimorar a capacidade de ambos os países em responder a “vários riscos e desafios”. A declaração, feita pelo Ministério da Defesa chinês, ocorre em um momento de crescentes tensões geopolíticas globais.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, as discussões sobre essa cooperação já iniciaram. Em uma conversa telefônica, o Ministro da Defesa chinês, Dong Jun, expressou a disposição da China em trabalhar com a Rússia para implementar o “importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado”.
Esta movimentação acontece um dia após a divulgação da nova Estratégia de Defesa dos Estados Unidos, que aponta a contenção da influência de China e Rússia no Hemisfério Ocidental como um dos principais objetivos. A nova política de defesa americana também ameaça o uso de força militar contra países que não cooperarem no combate ao narcotráfico e à influência de Pequim e Moscou na região.
Nova Estratégia de Defesa dos EUA: Foco no Hemisfério Ocidental
A nova Estratégia Nacional de Defesa dos Estados Unidos, divulgada pelo Departamento de Guerra, estabelece como meta garantir a dominância militar e comercial americana do Ártico à América do Sul. O documento, segundo o Ministério da Guerra dos EUA, serve como guia para as políticas e mobilizações militares planejadas para os próximos anos.
A estratégia americana, apelidada de “Corolário Trump à Doutrina Monroe”, deixa clara a disposição para ações militares onde e quando os interesses dos EUA não forem atendidos. A atuação em Caracas, que resultou na deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, é citada como um exemplo de ação futura.
O governo Trump enfatiza a importância de garantir “o acesso militar e comercial dos EUA a áreas estratégicas fundamentais”, incluindo o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia. Há também a intenção de obrigar Canadá e México a cooperarem no fechamento das fronteiras americanas para imigrantes ilegais e “narcoterroristas”.
China Busca Equilíbrio e Cooperação em Meio a Tensões
Em paralelo, a China renovou um acordo de cooperação em construção naval com a Dinamarca, focando no desenvolvimento conjunto de tecnologias para navios de baixo ou zero carbono. O Ministro da Indústria chinês, Li Lecheng, destacou a exploração de potencial de cooperação no setor de veículos de novas energias.
A estratégia chinesa em relação aos EUA, conforme o documento americano, busca “deter” a China “por meio da força, não do confronto”. O objetivo não é dominar ou estrangular Pequim, mas sim alcançar um arranjo de coexistência com dominação regional mútua, evitando choques diretos.
Para isso, a China pretende intensificar esforços diplomáticos com os EUA e aumentar sua presença militar no Pacífico Ocidental. A ideia é manter um “equilíbrio favorável de poder militar no Indo-Pacífico”, buscando uma paz aceitável e em termos favoráveis aos americanos, mas que a China também possa aceitar.
Rússia e “Narcoterrorismo” na Nova Ordem Global
A Rússia é identificada na estratégia americana como uma das ameaças globais, ao lado da Coreia do Norte. A política de defesa de segundo mandato de Trump visa “delegar” a responsabilidade de lidar com esses países a aliados como a OTAN, Coreia do Sul e Japão, respectivamente.
O “narcoterrorismo” é apontado como um alvo militar específico, com os EUA se reservando o direito de realizar ataques militares diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer lugar das Américas. A cooperação de países vizinhos no combate a essas organizações é vista como essencial.
A nova estratégia americana busca a “paz pela força”, começando nas fronteiras dos EUA e se estendendo ao monitoramento e contenção de rivais globais. Há também um plano para “modernizar e adaptar” as forças nucleares americanas e retomar a indústria militar dos EUA.
Cooperação Naval Sino-Dinamarquesa e o Contexto Geopolítico
A renovação do acordo de cooperação em construção naval entre China e Dinamarca, apesar de parecer um tema isolado, insere-se no contexto de tensões entre EUA e Dinamarca, especialmente em relação à Groenlândia. A iniciativa demonstra a busca chinesa por parcerias estratégicas em áreas de interesse econômico e tecnológico.
O desenvolvimento conjunto de tecnologias para navios movidos a combustíveis de baixo ou zero carbono alinha-se com a crescente preocupação global com a sustentabilidade e a transição energética. A cooperação no setor de veículos de novas energias também reforça essa visão de futuro.
Essa colaboração naval, assim como a intensificação da “coordenação estratégica” entre China e Rússia, sinaliza uma reconfiguração das alianças e interesses globais, em resposta direta às novas diretrizes da política de defesa dos Estados Unidos, que buscam reafirmar sua hegemonia em um cenário internacional cada vez mais multipolar.