Operação da Polícia Federal mira CEO do Grupo Fictor em esquema bilionário de fraudes bancárias
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 25 de março de 2026, a operação Fallax, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de cometer fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. As investigações apontam para práticas de estelionato e lavagem de dinheiro, com desvios que podem ultrapassar a marca de R$ 500 milhões.
Um dos principais alvos da operação é o empresário Rafael de Góis, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao executivo na capital paulista. O ex-sócio do grupo, Luiz Rubini, também é alvo de mandado em São Paulo. A investigação teve início em 2024, após a identificação de indícios de um esquema estruturado para obter vantagens ilícitas.
Conforme informações divulgadas pelo g1, o grupo criminoso atuava mediante a cooptação de funcionários de instituições financeiras e o uso de empresas para movimentar e ocultar recursos. Ao todo, a operação cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O bloqueio de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, foi determinado até o limite de R$ 47 milhões.
Esquema complexo de lavagem de dinheiro e funcionários corrompidos
A organização criminosa utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais complexas para dissimular a origem dos recursos obtidos de forma ilícita. Funcionários de instituições financeiras eram cooptados para inserir dados falsos nos sistemas bancários, facilitando saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento pela polícia.
Grupo Fictor em meio a crises e bloqueios judiciais
O Grupo Fictor tem enfrentado diversos problemas recentes. Em novembro de 2025, o grupo anunciou a compra do Banco Master, com a participação de investidores estrangeiros e um aporte de R$ 3 bilhões, poucas horas antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição. Após a intervenção, o grupo sofreu uma crise reputacional, com resgates de aproximadamente R$ 2 bilhões por investidores, o que levou ao pedido de recuperação judicial das empresas Fictor Holding e Fictor Invest.
Decisões judiciais recentes também impactaram o grupo. Uma desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 150 milhões do Grupo Fictor para garantir o cumprimento de obrigações com operadoras de cartão de crédito da unidade Fictor Pay. Outro bloqueio foi ordenado pela Justiça do Paraná, retendo R$ 200 mil em favor de uma investidora, após a empresa deixar de pagar rendimentos.
Nota oficial do Grupo Fictor e busca por esclarecimentos
Em nota oficial, a assessoria de imprensa do Grupo Fictor confirmou a realização de busca e apreensão na residência de Rafael Góis, informando que apenas o seu telefone celular foi apreendido. A empresa declarou que a defesa prestará os esclarecimentos necessários assim que tiver acesso ao conteúdo da investigação, com o objetivo de elucidar os fatos perante as autoridades competentes.
O Poder360 buscou contato com Rafael de Góis por meio do LinkedIn para obter um posicionamento sobre o caso, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso haja manifestação do executivo.
Penalidades e crimes investigados na Operação Fallax
Os investigados na Operação Fallax poderão responder por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, e crimes contra o sistema financeiro nacional. As penas somadas para esses delitos podem ultrapassar 50 anos de reclusão, evidenciando a gravidade das acusações.