Caso Benício: Polícia solicita prorrogação de prazo para concluir investigação sobre morte de criança em Manaus
A Polícia Civil do Amazonas pediu à Justiça um acréscimo de 45 dias para finalizar o inquérito que apura a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos. A criança faleceu em 23 de novembro, após receber uma dose de adrenalina durante um atendimento hospitalar no Hospital Santa Júlia, na Zona Sul de Manaus.
Segundo a investigação inicial, a via e a dosagem da adrenalina administrada não eram as mais adequadas para o quadro clínico de Benício. Após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu. A demora na conclusão do caso se deve à necessidade de cumprir etapas cruciais para a elucidação dos fatos.
Conforme informações apuradas pelo g1, a solicitação de prorrogação destaca a pendência de depoimentos de testemunhas, a juntada de laudos de exame necroscópico e a elaboração do relatório final. Estes elementos são fundamentais para que a Polícia Civil possa apresentar conclusões definitivas sobre a **morte de Benício**.
Médica investigada por adulterar vídeo em caso de morte de criança
A Polícia Civil do Amazonas concluiu que a médica Juliana Brasil Santos encomendou e pagou pela adulteração de um vídeo. O objetivo seria tentar justificar o erro na prescrição de adrenalina, que levou à morte de Benício. O vídeo, apresentado pela defesa da médica, sustentava a versão de que a falha teria ocorrido devido a um problema no sistema do Hospital Santa Júlia.
No entanto, perícias confirmaram que o conteúdo do vídeo foi manipulado. Mensagens extraídas do celular de Juliana revelam que ela buscou ajuda de colegas e ofereceu dinheiro para a produção do material. Em áudios obtidos pela polícia, Juliana expressa a necessidade de alguém para editar o vídeo, mencionando que o material alterado chegaria em breve.
Para os investigadores, essa tentativa de fraude processual reforça a suspeita de **dolo eventual** no caso. A investigação segue em andamento pelo 24º Distrito Policial, buscando esclarecer todas as circunstâncias da **morte de Benício**.
Apontamentos sobre a prescrição e aplicação da adrenalina
A polícia aponta um erro tanto na prescrição quanto na aplicação da adrenalina por via intravenosa. O protocolo médico padrão indicaria uma via e dosagem diferentes. A aplicação inadequada está diretamente associada à rápida piora do estado de saúde da criança, culminando em sua fatalidade.
A médica Juliana Brasil, responsável pela prescrição, e a técnica de enfermagem Raiza Bentes, que aplicou a medicação, são as principais investigadas. Ambas foram afastadas de suas atividades profissionais por decisão judicial e estão proibidas de atuar por 12 meses. Até o momento, não há prisões decretadas no caso.
Declarações e defesas no andamento da investigação
Em seu depoimento, a médica Juliana Brasil admitiu ter errado ao prescrever adrenalina por via intravenosa, reconhecendo que a medicação deveria ter sido administrada de outra forma. Ela também expressou surpresa pelo fato de a equipe de enfermagem não ter questionado a prescrição.
A defesa da médica alega que o erro ocorreu devido a uma falha no sistema de prescrição do Hospital Santa Júlia. Segundo eles, o sistema teria alterado automaticamente a via do medicamento durante instabilidades no dia do atendimento, contribuindo para o trágico desfecho no **caso Benício**.
Por sua vez, a técnica de enfermagem Raiza Bentes declarou que apenas seguiu a prescrição médica ao aplicar a adrenalina sem diluição. Ela afirmou ter informado a mãe da criança sobre o procedimento. Segundo seu relato, após a aplicação, Benício apresentou palidez, dor no peito e dificuldade para respirar, sinais de rápida deterioração.
Oitivas e apuração da responsabilidade do hospital
A Polícia Civil já ouviu mais de 20 pessoas no âmbito da investigação. Entre os ouvidos estão os pais de Benício, as médicas e técnicas de enfermagem investigadas, outros profissionais de saúde e representantes do Hospital Santa Júlia. O inquérito também busca apurar a responsabilidade da unidade hospitalar em relação à sua estrutura, protocolos de segurança e eventuais falhas no sistema de prescrição.
O fundador do hospital, Édison Sarkis, prestou depoimento e reiterou que a unidade possui protocolos de segurança e procedimentos de dupla checagem. Ele informou que havia uma enfermeira responsável pelos protocolos no plantão, mas ela não foi acionada durante o atendimento que resultou na **morte de Benício**.