Desfile Pró-Lula no Carnaval Carioca: Polêmica e Críticas da Direita Ganham Destaque
O desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval carioca, tornou-se um verdadeiro campo de batalha político. A escola de samba, que recebeu parte de seu financiamento através de verba federal, apresentou uma narrativa que enalteceu a trajetória do petista, mas também incluiu uma representação do ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço, desencadeando uma onda de críticas por parte de políticos de direita.
Lula, acompanhado da primeira-dama Janja, assistiu à apresentação de um camarote e chegou a descer à avenida para cumprimentar os integrantes da escola. A controvérsia gerada pela homenagem e pela representação de Bolsonaro motivou reações imediatas de figuras proeminentes da oposição, que denunciaram o evento como um uso indevido de recursos públicos e uma tentativa de manipulação política.
As críticas não se limitaram a comentários nas redes sociais. Diversos políticos de direita ajuizaram ações na Justiça Eleitoral na tentativa de impedir o desfile, alegando irregularidades e o uso político de um evento cultural. A polêmica envolvendo o desfile pró-Lula e as reações da direita foram amplamente divulgadas e repercutidas, gerando debate sobre o financiamento público de eventos e a polarização política no Brasil, conforme informações divulgadas por veículos de imprensa.
Reações da Direita: Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira Criticam Representação
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro utilizou suas redes sociais para expressar seu descontentamento. Ela compartilhou um vídeo de uma alegoria que retratava um palhaço com tornozeleira eletrônica atrás das grades, associando diretamente a imagem à prisão de Lula por corrupção. A postagem destacou que a representação se baseava em “registro judicial e não opinião”, reforçando a narrativa de que Lula seria um condenado.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também se manifestou de forma contundente. Ele sugeriu que, caso um desfile semelhante tivesse ocorrido em 2022, durante o governo Bolsonaro, haveria uma perseguição política. Ferreira listou possíveis ações como busca e apreensão no partido de Bolsonaro, no barracão da escola e até a inelegibilidade vitalícia, insinuando uma disparidade no tratamento político.
Flávio Bolsonaro e Romeu Zema Usam IA para Criar Paródias
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, optou por uma estratégia diferente ao divulgar um vídeo criado com inteligência artificial. A simulação apresentava um samba-enredo fictício que rotulava Lula como “ladrão”, misturando imagens do desfile com montagens do presidente em trajes de presidiário e fotos de figuras políticas como Janja e Gleisi Hoffmann.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seguiu a mesma linha de crítica. Ele lamentou a caracterização de eleitores conservadores no desfile, que, segundo ele, foram “banalizados para o Brasil inteiro por um bloco financiado com dinheiro do governo federal”. Zema também compartilhou uma paródia feita com inteligência artificial, intitulada “cadê minha picanha?”, que ironizava o desfile com frases como “Mensalão na avenida, compra de voto no ar”.
Contestações Judiciais e Financiamento Público do Desfile
A apresentação da Acadêmicos de Niterói não apenas gerou críticas, mas também foi alvo de contestações judiciais. Partidos como o Novo e o Missão entraram com ações buscando impedir a realização do samba-enredo. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou o pedido para barrar o desfile.
A ministra Cármen Lúcia, do TSE, chegou a manifestar preocupação com a possibilidade de “algum ilícito” durante a apresentação. Além disso, deputados do Partido Novo solicitaram ao Tribunal de Contas da União (TCU) a aplicação de uma multa de R$ 9,65 milhões aos responsáveis pelo enredo, embora o TCU já tivesse negado um pedido anterior para barrar o repasse de verbas públicas.
A Embratur destinou um total de R$ 12 milhões para as escolas de samba do grupo de elite do Carnaval carioca, sendo R$ 1 milhão especificamente para a Acadêmicos de Niterói. A escola narrou a história de vida de Lula, desde sua infância humilde em Pernambuco até sua ascensão como líder sindical e presidente, com músicas que faziam referências ao número 13, número de urna do PT.
Apresentação Artística e Papéis no Desfile
O desfile contou com a interpretação de Lula pelo ator e comediante Paulo Vieira. As atrizes Juliana Barone e Dira Paes deram vida à primeira-dama Marisa Letícia e à mãe do presidente, dona Lindu, respectivamente. A narrativa buscava traçar um panorama da trajetória do presidente, desde suas origens até sua liderança política.
A música tema do desfile, composta por Teresa Cristina e outros sambistas, incluía versos como “Por ironia, 13 noites, 13 dias, me guiou Santa Luzia, São José Alumiou, da esquerda de Deus pai, da luta sindical, à liderança mundial”, fazendo alusão ao número de urna do PT e à jornada do presidente.