Após um feriado prolongado nos Estados Unidos, a abertura da bolsa de Nova York nesta terça-feira (17) trouxe notícias desfavoráveis para importantes commodities agrícolas. Contratos de café arábica com entrega em maio registraram uma queda acentuada de 4,07%, sendo negociados a US$ 2,8615 por libra-peso. Este recuo marca a continuidade de uma tendência de baixa observada nas últimas duas semanas.
A principal causa para a desvalorização do café arábica é a expectativa de uma safra recorde no Brasil, maior produtor mundial da commodity. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção impressionante de 66,2 milhões de sacas, enquanto a corretora Eisa estima que a safra brasileira possa alcançar 75,8 milhões de sacas.
As condições climáticas também têm sido favoráveis, com chuvas nas regiões produtoras reduzindo as preocupações com a seca e impulsionando as projeções de colheita. Como resultado, as cotações do café arábica atingiram os menores níveis dos últimos seis meses, impactando diretamente os produtores e o mercado internacional. Conforme informação divulgada pelas fontes, os preços do café arábica vêm recuando nas últimas duas semanas, em meio a estimativas de safra recorde no Brasil.
Cacau e Algodão também sentem o peso da oferta
O cenário de queda não se restringe ao café. O cacau também opera em baixa, com contratos para março recuando 3,18% e sendo negociados a US$ 3.467 por tonelada. O mercado de cacau é influenciado pela projeção de uma oferta elevada na Costa do Marfim e em Gana, países que lideram a produção global.
Adicionalmente, dados que apontam para a redução nas moagens, queda nas vendas de grandes indústrias de chocolate e um aumento nos estoques certificados na bolsa contribuem para a pressão sobre os preços. No acumulado de um mês, o preço do cacau já caiu 30,25% e, na comparação anual, o recuo é de 65,52%, segundo a Trading Economics. O algodão também segue a tendência de baixa, com papéis para março caindo 0,68% e cotados a 61,69 centavos de dólar por libra-peso.
Açúcar ensaia recuperação, mas desafios persistem
Em contrapartida, o açúcar demerara iniciou o dia com uma nota positiva, registrando alta de 1,81%. Os contratos para março estavam cotados a 14,03 centavos de dólar por libra-peso. Essa recuperação, segundo análise do Barchart, é resultado de ajustes técnicos após os preços terem atingido o menor nível dos últimos cinco anos na Bolsa de Nova York.
No entanto, o otimismo pode ser limitado. As expectativas de um superávit na produção global de açúcar até a temporada 2026/27 podem impor barreiras à continuidade dessa alta. O mercado de açúcar demonstra a volatilidade característica das commodities, com influências tanto de fatores técnicos quanto de projeções de oferta e demanda de longo prazo.