Projeto Piloto de Abate de Búfalos Invasores Inicia na Amazônia para Combater Devastação Ambiental

Uma operação de controle de fauna com métodos drásticos começou em Rondônia. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com outras instituições, iniciou um projeto piloto para o abate de aproximadamente 10% dos 5 mil búfalos que se tornaram uma praga em reservas ambientais na região.

Esses animais, originários da Ásia, foram introduzidos no Brasil em 1953, mas um projeto fracassado resultou em seu abandono. Sem predadores naturais e se reproduzindo descontroladamente, os búfalos causam sérios danos ecológicos, ameaçando espécies nativas e alterando ecossistemas sensíveis.

A dificuldade de acesso e a inviabilidade logística para remoção dos animais vivos ou mortos, somadas à impossibilidade de consumo de sua carne devido à falta de controle sanitário, levaram à decisão pelo abate como a única alternativa viável. A ação visa testar a eficiência e segurança do método para uma futura erradicação completa, conforme divulgado pelo ICMBio.

Desafios e Objetivos da Operação de Abate

A primeira fase do projeto piloto, que ocorreu entre 16 e 20 de março, envolveu dezenas de pessoas e teve como principal objetivo testar e aprimorar o método de abate. Atiradores especializados, equipados com rifles, foram responsáveis por executar a tarefa. No primeiro dia, cerca de 30 animais foram abatidos, superando as expectativas de produtividade iniciais, apesar das dificuldades de deslocamento na área remota.

A expectativa é que aproximadamente 500 búfalos sejam abatidos nesta etapa inicial. Os pesquisadores envolvidos buscam avaliar a capacidade diária de abate, observar o comportamento dos animais e as condições ambientais que afetam a operação, além de mapear os desafios logísticos e operacionais. Essas informações serão cruciais para planejar uma estratégia mais eficaz para a erradicação total dos búfalos da região.

Impacto Devastador dos Búfalos na Biodiversidade Amazônica

A presença dos búfalos em reservas como a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D’Óleo, no oeste de Rondônia, tem provocado um impacto ambiental alarmante. Esses animais, que podem pesar mais de meia tonelada, destroem a vegetação nativa, competem por alimento com espécies locais e alteram o curso natural de corpos d’água.

O biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, alertou que a ação dos búfalos pode levar à extinção de espécies endêmicas, incluindo o cervo-do-pantanal, que já é considerado vulnerável. As trilhas abertas pelos búfalos em formações de filas indianas criam canais que desviam a água, comprometendo áreas alagadas essenciais para a biodiversidade local.

A compactação do solo causada pelo peso dos animais expõe as raízes de árvores, levando à sua morte e transformando áreas antes ricas em vegetação em locais desérticos. Um exemplo drástico dessa degradação é o