Brasil avalia aliança estratégica de minerais críticos com os EUA e outros países em reunião com vice-presidente J.D. Vance.

O Brasil participou de um encontro em Washington nesta quarta-feira (4) onde o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, apresentou planos para a formação de um bloco comercial focado em minerais críticos. A iniciativa visa garantir o suprimento desses materiais essenciais para a indústria global, e o governo brasileiro estuda sua possível adesão.

A reunião contou com a presença de representantes de diversos países, mas a decisão sobre a integração do Brasil à aliança não deve ser tomada em curto prazo. Segundo integrantes do Planalto, o país está aberto a parcerias que agreguem valor nacional, e a complexidade do tema exige uma análise bilateral detalhada.

O interesse dos Estados Unidos em minerais como terras raras, cobre, níquel e nióbio, abundantes no Brasil, tem crescido. Essa busca se intensificou após a China ter afetado os mercados globais com restrições no fornecimento de terras raras. A participação brasileira em discussões sobre o tema pode ser pautada em uma eventual viagem do presidente Lula a Washington.

Busca por minerais críticos impulsiona interesse internacional no Brasil

A estratégia dos Estados Unidos para assegurar o fornecimento de minerais críticos ganhou força sob o governo Trump, que buscou reduzir a dependência de um único fornecedor. O Brasil, com vastas reservas de minerais essenciais para a produção de tecnologias avançadas, surge como um parceiro estratégico nesse cenário.

O Ministério de Minas e Energia declarou que o país está aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais, desde que alinhadas aos interesses nacionais e aos princípios de desenvolvimento econômico e social. O ministério ressalta que a atuação brasileira é pautada pelo fortalecimento da cooperação internacional e pela atração de investimentos.

Brasil possui a segunda maior reserva global de terras raras, atrás apenas da China.

Apesar do grande potencial, o Brasil ainda possui poucos projetos em desenvolvimento para a exploração de terras raras. Comissões de várias partes do mundo têm procurado mineradoras brasileiras e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para discutir parcerias e investimentos no setor.

Recentemente, os Estados Unidos lançaram o Projeto Vault, um pacote estratégico de minerais críticos com financiamento inicial de US$ 10 bilhões. Cerca de 55 países participaram de negociações em Washington sobre o tema, incluindo Coreia do Sul, Índia, Japão e Alemanha, que possuem diferentes capacidades de mineração e refino.

Ministério de Minas e Energia aberto a diálogo e cooperação

O Ministério de Minas e Energia reafirmou sua abertura ao diálogo e a iniciativas internacionais que estejam em consonância com os interesses nacionais. A pasta destacou que a atuação brasileira visa o fortalecimento da cooperação internacional, a atração de investimentos, o desenvolvimento tecnológico e industrial, e a inserção do país nas cadeias globais de valor.

O ministério também mencionou que a cooperação ocorre com diversos parceiros, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia e a China. Essa abordagem demonstra a intenção brasileira de diversificar suas parcerias e maximizar os benefícios de sua riqueza mineral em um contexto global cada vez mais competitivo.