Brasil vive segunda maior saída de dólares da história em 2025, acende alerta econômico

O ano de 2025 marcou um capítulo preocupante nas finanças brasileiras, registrando a segunda maior saída líquida de dólares da série histórica iniciada em 1982. Dados preliminares divulgados pelo Banco Central (BC) revelam um fluxo cambial total negativo em US$ 33,316 bilhões. Este volume é superado apenas pelo registrado em 2024, quando a evasão somou impressionantes US$ 44,768 bilhões.

Apesar do expressivo resultado negativo, o real demonstrou resiliência, apresentando valorização ao longo do ano. Esse cenário incomum foi sustentado por fatores como os juros elevados no país e a queda do dólar no mercado internacional, que, paradoxalmente, não foram suficientes para reverter o forte fluxo de saída de moeda estrangeira.

A principal causa para essa fuga de capitais foi o canal financeiro, que acumulou uma saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025. Este dado, segundo o Banco Central, é o segundo maior da série histórica, ficando atrás apenas do registrado no ano anterior. Essa movimentação engloba desde investimentos estrangeiros diretos e em carteira até remessas de lucros e pagamentos de juros, entre outras operações financeiras. Conforme informação divulgada pelo Banco Central, o fluxo cambial total ficou negativo em US$ 33,316 bilhões.

Canal Comercial Tenta Compensar, Mas Não Evita Déficit Cambial

Em contrapartida, o canal comercial apresentou um saldo positivo, com entrada líquida de US$ 49,151 bilhões. Contudo, este valor se mostrou insuficiente para cobrir a robusta evasão observada no setor financeiro. O desempenho positivo do comércio exterior ficou abaixo do pico alcançado em 2007 e também menor do que o registrado em 2024, evidenciando uma pressão negativa sobre as reservas cambiais.

Importações em Alta Impulsionam Saída de Dólares

O Banco Central apontou o avanço das importações como o principal fator por trás da menor entrada de dólares pela via comercial. O volume de câmbio contratado para aquisições externas atingiu US$ 238 bilhões, configurando o segundo maior patamar da série histórica, atrás apenas de 2022. As exportações, por sua vez, somaram US$ 287,5 bilhões no período. É importante notar que o fluxo cambial, diferente da balança comercial, inclui operações como pagamentos antecipados e adiantamentos de contrato de câmbio.

Real se Valoriza Apesar da Fuga de Dólares: Juros e Dólar Fraco no Exterior

Surpreendentemente, mesmo com a expressiva saída de dólares no mercado à vista, o real se valorizou em 2025. A atratividade dos juros altos no Brasil, combinada com o enfraquecimento global do dólar, impulsionou posições favoráveis à moeda brasileira no mercado de derivativos. Esses movimentos compensaram, em parte, o fluxo cambial negativo.

A atuação do Banco Central no mercado à vista foi limitada, com apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, utilizando o mecanismo conhecido como “casadão”. Nesta operação, o BC vende dólares de suas reservas internacionais e, simultaneamente, compra dólares no mercado futuro através de swaps cambiais reversos, de mesma monta. O objetivo é aliviar a taxa de juros em dólar sem impactar diretamente a cotação da moeda.

Dezembro Agrava Saída de Dólares com Foco em Dividendos e Antecipação Tributária

O mês de dezembro de 2025 não foi diferente, registrando um fluxo cambial negativo de US$ 13,562 bilhões. Este valor, embora inferior aos US$ 27 bilhões registrados no mesmo mês de 2024, ainda contribuiu para o saldo anual negativo. A saída em dezembro foi impulsionada por uma evasão de US$ 20,982 bilhões pela conta financeira, parcialmente mitigada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões pela conta comercial.

Tradicionalmente, dezembro é um mês de maior saída de recursos devido a remessas de lucros e dividendos ao exterior. Em 2025, essa movimentação foi intensificada pela busca de empresas e investidores em se antecipar ao fim da isenção do Imposto de Renda sobre remessas internacionais, que passou a ser tributada a partir de janeiro de 2026. Essa antecipação gerou um fluxo adicional de saída de dólares no final do ano.

Fluxo Cambial: Uma Prévia do Balanço de Pagamentos

O fluxo cambial funciona como uma prévia do balanço de pagamentos, que mede as relações monetárias e financeiras entre residentes e não residentes no Brasil. Enquanto o balanço de pagamentos é divulgado mensalmente pelo Banco Central, o fluxo cambial antecipa esses números ao contabilizar adiantamentos de contratos e pagamentos prévios. Ele é dividido em fluxo comercial (exportações e importações) e fluxo financeiro (investimentos, empréstimos e transações no mercado financeiro), sendo este último o principal responsável pela fuga de dólares em 2025.