Chanceler iraniano, Abbas Araghchi, defende enriquecimento de urânio como ‘poder de dizer não’ às grandes potências durante negociações nucleares com os EUA.

Em um cenário de crescente tensão no Oriente Médio e com reforços militares americanos na região, o Irã reafirmou sua posição nas negociações sobre o programa nuclear. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o país não abrirá mão de sua capacidade de enriquecer urânio, mesmo diante das acusações dos Estados Unidos e países europeus de que o objetivo seria a fabricação de armas nucleares.

Araghchi negou veementemente o interesse em desenvolver uma bomba atômica, mas ressaltou que a habilidade de enriquecer urânio é fundamental para a soberania iraniana. Ele comparou essa capacidade a uma “bomba atômica” simbólica, que representa o poder de resistir a pressões e intimidações internacionais.

As declarações foram feitas após uma rodada de conversas em Omã, descrita por Araghchi como tendo uma “atmosfera muito positiva”. O ministro enfatizou que o diálogo com Washington só avançará se os Estados Unidos cessarem as ameaças de agressão militar, reiterando que as negociações se concentram exclusivamente no programa nuclear iraniano. Essa informação foi divulgada pelo canal estatal iraniano. As reuniões, que duraram cerca de seis horas, indicaram a possibilidade de novos encontros no futuro, conforme relatado pelo site norte-americano “Axios”.

Irã Defende o Enriquecimento de Urânio como Direito Soberano

Abbas Araghchi, que participou da primeira rodada de conversas com Washington em Omã, afirmou que o Irã não tem a intenção de construir uma bomba atômica. “Acredito que o segredo do poder da República Islâmica do Irã reside em sua capacidade de resistir à intimidação, à dominação e às pressões de outros”, declarou Araghchi, segundo a fonte. Ele complementou que o temor das grandes potências em relação à “bomba atômica” iraniana se deve, na verdade, ao “poder de dizer não às grandes potências”.

Negociações Nucleares: Pontos de Divergência e Possíveis Avanços

O ministro das Relações Exteriores do Irã descreveu a reunião com os Estados Unidos como tendo uma “atmosfera muito positiva”, com concordância em avançar nas negociações. “Nossos argumentos foram trocados e os pontos de vista da outra parte nos foram apresentados”, disse Araghchi à TV estatal iraniana, acrescentando que a decisão sobre as modalidades e o cronograma das próximas conversas será tomada posteriormente. O objetivo principal do encontro era buscar um consenso diplomático em meio a ameaças mútuas.

Tensão no Oriente Médio e o Papel da Diplomacia

O encontro ocorreu em um momento de escalada das tensões no Oriente Médio, com o envio de reforços militares americanos para a região. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, expressou preferência pela via diplomática, não descartou uma ação militar. As autoridades americanas e iranianas divergem sobre a pauta das negociações, com os EUA desejando limitar o alcance de mísseis balísticos iranianos, o apoio a grupos armados e interferir em questões internas, além de buscar “capacidade nuclear zero” do Irã. O Irã, por sua vez, defende que as conversas se restrinjam ao seu programa nuclear, que alega ter fins pacíficos.

Reações Internacionais e a Busca por Estabilidade Regional

Diante do aumento das tensões, governos da região e aliados do Irã buscam reduzir a escalada. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, trabalha para evitar um novo conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo temem que suas bases americanas se tornem alvos em caso de ataque ao Irã. O chanceler alemão, Friedrich Merz, expressou “grande preocupação” com uma possível escalada e pediu que o Irã contribua para a estabilidade regional. A China, por sua vez, declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças e sanções.